Longas preliminares

Surpreendeu-me ver um anúncio de um estabelecimento de Luanda para o Dia dos Namorados antes de cumpridos os primeiros dez dias de Janeiro. Na verdade até não teria nada de estranho se em Angola a planificação e a comunicação atempadas fossem cultura. Pensei então que em tempo de crise talvez os nossos homens de negócios estejam a aprender isso mesmo. É preciso comunicar, ir ao mercado e conquitá-lo. Portanto, para quem goste de coisas especiais neste dia, suponho que, ao ver aquele anúncio, com imagem da baía de Luanda e tudo, se tenha posto a sonhar, a ver como arranjar dinheiro, numa espécie de preliminar que irá até ao dito dia, se tiver dinheiro para tal, porque os preços não são simpáticos para a maioria dos angolanos. As imagens são vistosas, o que não quer dizer que sejam de bom gosto, eu não iria para aquilo, de tão vermelha que é a sugestão carnavalesca. Aliás, quem foi que disse aos angolanos que a cor do amor é a vermelha carregada? Até balões vermelhos, em barda, aparecem na decoração do local. Mas gostos são gostos, não deixam espaço para discussão, nem com quem goste de comer sabão. Mas quem for pagar, se não propuser algumas alterações, desta vez corre o risco de as preliminares serem um mau caminho e o arrependimento chegar com o esfriamento da contraparte. Enfim, o negócio do amor já está lançado, que venha Fevereiro, já que ideias mais românticas parece que se foram embora com a chegada da crise, que deve ser de imaginação também.

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