ADRA defende solução dos problemas nas comunidades para se evitar êxodo rural

A Acção para o Desenvolvimento rural e ambiente (aDra), antena Huíla, defende que a resolução dos principais problemas das comunidades rurais passa pela implementação de projectos sustentáveis

Esta ideia foi manifestada ontem, no Lubango, pelo seu director regional, Simeone Justino, durante o fórum sobre a “Presença de Crianças nas Ruas do Lubango”, organizado pelo Gabinete da Acção Social, Família e Igualdade do Género da Huíla. Nos últimos cinco meses, a cidade do Lubango registou uma presença massiva de crianças das comunidades rurais, maioritariamente do sexo feminino, a pedir esmolas para comprar alimentos para a sua sobrevivência.

Para contornar o êxodo massivo destas crianças, dos cinco aos dez anos, acompanhadas, geralmente, por adolescentes, Simeone Justino defendeu um estudo aprofundado sobre os problemas sociais das comunidades donde vêm, para se encontrar possíveis soluções.

O responsável prima por soluções estruturais a partir das próprias comunidades, e, caso não se resolvam, segundo a fonte, as cidades continuarão a ser o seu destino ideal, por acharem ser aí onde podem encontrar o que precisam. “Precisamos atender os problemas das comunidades nas comunidades e com as comunidades, para que fenómenos como estes não voltem a acontecer ”, afirmou, alertando que este fenómeno “tem causas profundas”.

Com larga experiência de trabalho junto das comunidades rurais, através da instituição que dirige, Simeone Justino disse ainda que a solução definitiva passa pela elaboração e execução de projectos estruturantes, com o apoio à actividade produtiva das comunidades. “É preciso criar condições para que a criança no meio rural tenha um acompanhamento eficiente, tanto na perspectiva da sua educação, como na sua formação e, acima de tudo, aumentar a renda das famílias no meio rural”, apelou.

Causas identificadas

Por sua vez, a directora do Gabinete Provincial da Acção Social, Família e Igualdade do Género na Huíla, Catarina Manuel, disse que o fenómeno de crianças que circulam pelas artérias do Lubango é preocupante, tendo em conta os riscos a que as mesmas estão expostas.

Apontou a seca que assola o Sul do país como sendo a causa principal desse êxodo, pelo que urge a necessidade de se redobrar as políticas para a sua mitigação, disse. “Nesta altura verificamos que uma ou outra criança já estão a pedir esmolas, a seca fez com que as famílias ficassem desprovidas dos seus recursos, fazendo com que o número de crianças pedintes cresça”, justificou Catarina Manuel.

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