Irão nega ter disparado em manifestantes que tomaram as ruas após derrube de avião

A polícia do Irão disse nesta Segunda-feira que os seus agentes não dispararam em manifestantes que tomaram as ruas para protestar pelo facto de os militares do país terem abatido, por engano, um avião de passageiros, após vídeos publicados nas redes sociais registrarem tiros e poças de sangue durante os protestos

‘Nos protestos, a Polícia não atirou de forma nenhuma, porque os agentes policiais da capital foram ordenados a mostrar comedimento”, disse Hossein Rahimi, chefe de Polícia de Teerão, em comunicado publicado pelo site da emissora estatal. Num tuíte, no Domingo, o segundo dia de manifestações no Irão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse às autoridades: “Não matem os seus manifestantes”.

Os protestos em casa são o desdobramento mais recente de uma das escaladas mais desestabilizadoras entre os EUA e o Irão desde a revolução iraniana de 1979. Teerão admitiu ter derrubado o avião ucraniano por engano, matando todas as 176 pessoas a bordo, horas depois de ter disparado mísseis contra bases norte-americanas para retaliar o assassinato do seu líder militar mais poderoso n um ataque de drone ordenado por Trump.

A revolta pública iraniana, que cresceu enquanto o Irão negava insistentemente ter culpa pela queda do avião, irrompeu em protestos no Sábado após a confissão dos militares. Os manifestantes voltaram às ruas no Domingo e novamente nesta Segunda-feira. Vídeos publicados nas redes sociais na noite de Domingo registaram tiros nas proximidades dos protestos na Praça Azadi de Teerão. Imagens mostraram sangue no solo, feridos a serem carregados e pessoas que pareciam serem seguranças a correr com armas.

Outras postagens mostraram batalhões de choque a golpear manifestantes com cassetetes enquanto pessoas próximas gritavam “Não batam neles!” “Morte ao ditador”, mostraram imagens de manifestantes, que circulam nas redes sociais, dirigindo a sua revolta ao líder supremo, Ali Khamenei.

“Eles estão a mentir que o nosso inimigo é a América, o nosso inimigo está bem aqui”, bradava outro grupo diante de uma universidade de Teerão. A Reuters não conseguiu autenticar as imagens de forma independente. A mídia filiada ao governo noticiou os protestos de Sábado e domingo em Teerã e outras cidades, mas sem dar tais detalhes.

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