Acidentes de viação mataram mais de duas mil pessoas em 2019

A Polícia Nacional apresentou ontem os dados globais da Segurança Rodoviária de 1 de Janeiro a 31 de dezembro de 2019, que dão conta da morte de mais de duas mil pessoas e de mais de 11 mil feridos em acidentes de viação

O comandantegeral da Polícia Nacional, comissáriogeral Paulo de Almeida, disse, ontem, que os acidentes que aconteceram nas estradas do país no ano passado provocaram a morte de 2.327 pessoas e deixaram outras 11.768 com ferimentos graves. O responsável falava à imprensa na abertura da primeira sessão extraordinária da Comissão Executiva do Conselho Nacional de Viacção e Ordenamento do Trânsito (CNVOT). Com estes mais de dois mil mortos, que ocorreram no período de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro do ano 2019, apesar de ser um número preocupante, que o comandante-geral considera uma “vergonha”, em relação ao ano 2018 registou-se uma redução (menos 100 mortos).

Este número resulta de um total de 10.710 acidentes registados em 2019. Para o comandante-geral, que também é coordenador executivo do CNVOT, é necessário que haja maior praticidade na execução dos projectos estruturantes de educação, segurança e prevenção rodoviária no país, de forma a reduzir este número.

O responsável, que presidia o acto de abertura da 1.ª Sessão Extraordinária da referida comissão, reconheceu que a segurança rodoviária constitui uma das prioridades do Executivo, atendendo o número crescente de vítimas que os acidentes vêm produzindo todos os anos em Angola. “A questão do trânsito rodoviário em Angola ainda é uma das grandes preocupações do Executivo, embora no ano transacto tenhamos registado uma ligeira diminuição das situações de sinistralidade rodoviária”, disse.

Para aquele responsável, os acidentes não devem ser uma preocupação unicamente das autoridades de viação e trânsito, pois devem ser encarados já como um problema de moralidade pública, um problema de civismo e de educação. “A educação rodoviária tem que começar a partir da base, da infância, das nossas escolas, para que em adultos possamos já ter consciência, para vermos e distinguirmos o que é o mal e o que é o bem”, disse, acrescentando que esta realidade “é uma vergonha” porque os números da tragédia nas estradas nacionais teimam em não baixar para valores que se possam considerar normais.

Atenção redobrada nos exames

O conselho tem agendado para discussão, nos próximos tempos, temas como a Caracterização da Sinistralidade Rodoviária, Políticas de Prevenção e Segurança Rodoviária e a Integração Regional. No entender de Paulo de Almeida, as políticas de prevenção rodoviária devem ser moldadas o mais depressa possível. “Vamos ter de rever as nossas políticas, vamos ter de nos empenhar cada vez mais, e pensamos que este ano temos de dar sinais de progresso.

Vamos incidir muito em questões como exames multimédia, exames escritos, para sairmos da situação tradicional dos exames orais que muitas vezes têm mais componentes subjectivos”, afirmou, lembrando que a Polícia Nacional deve insistir na inspecção das viaturas porque existem muitos veículos em mau estado técnico em circulação nas estradas e nos mercados. A Polícia enfatizou que continuará a bater na tecla da inspecção às viaturas com alguma frequência, já que muitas que ainda circulam nas nossas rodovias encontram-se em mau estado técnico.

“Temos de deixar de construir caminhos para construir estradas largas, estradas que dêem maior estabilidade, segurança e com a sinalização competente e adequada. Temos de ter uma capacidade melhorada na fiscalização do estado das pessoas e, sobretudo, das vias públicas”, sublinhou Paulo de Almeida. O encontro serviu de antecâmara à participação de Angola na 3ª conferência mundial sobre segurança rodoviária que se realiza em Estocolmo, Suécia, de 19 a 20 de Fevereiro do corrente ano.

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