Carta do leitor: As propinas e as universidades

POR: Jesus Vilinga
Luanda

O país foi tomado esta semana por uma série de manifestações por causa do aumento do valor das propinas em algumas universidades. O ‘epicentro’ estará na Universidade Privada de Angola, em Luanda, cujos estudantes do curso de Medicina continuam amotinados, prometendo não arredar o pé enquanto não aparecer uma solução. Em causa estão os propalados 120 mil Kwanzas que os estudantes do penúltimo e últimos anos deverão pagar, caso passe a proposta feita pela direcção da instituição. Além do valor acima mencionado, pretende-se também uma melhoria nas condições de estudo, sobretudo laboratórios e outras instituições para as aulas práticas. Porém, a UPRA não é a única que pretende aumentar o preço. Outras, como o PIAGET, a Universidade Católica, Independente e outras particulares já haviam manifestado, num encontro em Benguela, que os preços estavam desajustados.Mais do que preços exorbitantes, como se apresenta, até porque os cursos de saúde não são baratos em nenhuma parte do mundo, o que faz doer muito mais os acréscimos sugeridos é a desvalorização da moeda e a pobreza acelerada da população. Dois dias depois, ainda não ouviu do Ministério do Ensino Superior um pronunciamento sobre a onda de manifestações e as suas causas, revelando que esta instituição esteja numa situação incômoda. Do mesmo modo que se exige qualidade e professores capacitados, alguns até inexistentes no país, sabe-se que estes não são baratos, o que acaba por encarecer ainda mais as despesas das instituições de ensino superior. Um olhar simples nos preços praticados por algumas universidades em África ou até mesmo na Europa, basta para demonstrar que os que se observam entre nós estão muito aquém, principalmente em cursos como medicina. Posto isto, talvez uma mediação, por parte do Ministério, poderia permitir chegar a cifras que pudessem, se calhar, satisfazer as partes. É que depois das manifestações na UPRA e PIAGET, em Luanda, certamente que outros estudantes farão o mesmo no sentido de persuadir a direcção das universidades em que estudam.

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