Directores de escola e encarregados de educação aos socos na Huíla

A insuficiência de vagas no Complexo Escolar Nº 2, localizado no bairro Nambambe, arredores da cidade do Lubango, província da Huíla, está a causar descontentamento entre os pais e encarregados de educação que buscam um lugar para os seus educandos no ano lectivo 2020

João Katombela, na Huíla

Os ânimos dos pais e encarregados de educação que tiveram de pernoitar no recinto escolar com o objectivo de conseguir uma vaga, ficaram exaltados quando lhes foi explicado que já não havia vagas, numa altura em que as matrículas tiveram o seu início no passado dia 13 do mês em curso. Por este facto, alguns encarregados arrombaram o portão da escola que se encontrava fechado, para conseguirem ter acesso ao interior do estabelecimento de ensino geral. Conceição Lussati disse que teve de passar parte da noite de Domingo ao relento para conseguir uma vaga para o seu filho que vai fazer a iniciação, no entanto o seu esforço foi todo por água à baixo quando ouviu que já não estavam a matricular porque as vagas já tinham sido preenchidas.

“Aqui está duro, está muito duro, nós chegamos aqui às 21 horas de Domingo e passamos a noite aqui, ontem (Segunda-feira) disseram que só haveriam de matricular a 7ª classe, mas até hoje, Terçafeira, nada” disse. Segundo os encarregados de educação do complexo escolar n.º 2 do bairro Nambambe, a situação tomou outros contornos, o que fez com que o processo de matrículas fosse arrastado até ao momento. Até à altura em que a nossa equipa de reportagem se encontrava junto do complexo escolar, por volta das 8 horas e 40 minutos, os portões encontravam-se encerrados, tendo-se registado um novo tumulto. Maria de Oliveira aponta como principal causa do tumulto entre os encarregados de educação, a falta de organização da parte da Direcção do Complexo Escolar n.º 2 do bairro mais populoso do Lubango.

“Afinal, zero horas é hora de dormir, ou é hora de vir fazer lista aqui na escola? Já são oito horas (de ontem), não atendem e nem nos dizem nada, será que para os nossos filhos estudarem temos de passar a noite aqui? Eles tinham de organizar, esta escola está desorganizada”, afirmou. Maria de Oliveira condena, por outro lado, a actitude de alguns encarregados de educação de derrubarem o portão da escola, já que se trata de um bem público que merece ser preservado por todos.

Directora “culpabiliza” falta de escolas no bairro A directora pedagógica do Complexo Escolar n.º 2 do Bairro Nambambe confirmou a existência do confronto entre alguns pais e encarregados de educação durante o arranque das matrículas, dada a insuficiência de vagas. Falando para o Jornal OPAÍS e Rádio Mais/Huíla, Ana Joice, fez saber que o número de vagas é exíguo e o número de salas de aulas não satisfaz as necessidades dos moradores do bairro Nambambe, já que o referido estabelecimento de ensino foi concebido para cerca de 3 mil alunos. “Nós temos de disponibilizar as vagas de acordo ao número de professores que temos, bem como as salas existentes na nossa escola que temos.

Por exemplo, eu não posso matricular um número de alunos que ultrapasse as nossas capacidades”, explicou. A directora pedagógica do complexo escola n.º 2 defende a construção de mais salas de aulas no Nambambe, para que este cenário que se vive em todas as épocas do arranque do ano lectivo não se repita.

“O Nambambe está a crescer, é necessário que haja mais escolas, porque se continuarmos com uma única escola, não haverá vagas para todos e estes problemas vão-se repetir” recomendou Sem adiantar o número de habitantes, a responsável escolar disse que o bairro Nambambe é o mais populoso do município do Lubango, mas só dispõe de uma escola pública. Relativamente ao tumulto, Ana Joice esclareceu que só foi possível controlá-lo graças à pronta intervenção da Policia Nacional, sem qualquer detenção.

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