Yuri Quixina: “Se as universidades e colégios não ajustarem os preços o ensino vai desaparecer”

Continua o conflito entre agentes económicos e autoridades fiscalizadoras em torno da subida de preços. O professor de Macroeconomia, Yuri Quixina, alerta que o ajustamento dos colégios e universidades é consequência do estado da economia

O INADEC ameaça levar a tribunal os colégios. Qual é a sua opinião?

Acho que estamos a colocar as escolas no paraíso, não vivem connosco. Sinceramente, não sei por que é que existe o INADEC. Um mercado livre não tem INADEC. Para compreenderem o mercado, o pessoal do INADEC devia ter empresas, para perceberem como o preço responde ao anseio do consumidor. Temos INADEC porque a nossa economia é do socialismo. O que o INADEC está a fazer é populismo. As escolas não estão fora do contexto nacional, o país vive uma desvalorização e inflação enorme, o que obriga a ajustamentos na economia. Os colégios também estão a ajustar. Os colégios são empresas como quaisquer outras. A procura e a oferta é que vai determinar se o ajustamento valeu a pena ou não.

Mas o INADEC está firme na sua posição…

O INADEC que coloque os colégios no tribunal, as escolas vão provar por A+B os custos que estão a sofrer. Elas têm custo com os fornecedores, que alteram os preços, compram material didático – que não produzimos qui – aos importadores, que incutem no preço final as variações cambiais. Há escolas que desde 2014 não aumentaram os preços. Se as escolas não aumentarem os preços, o INADEC tem de dizer ao Estado para subvencionar. Os colégios estão a alterar fruto dos sinais dos preços.

A acção do INADEC é sustentada pela medida tomada na última reunião da Comissão Económica, que visa “desmantelar” os especuladores. Você se lembra?

Na economia de livre mercado, onde o capitalismo cria riqueza para o povo, não tem Ministério do Comércio. A qualidade paga-se caro. Quem compra barato, come barata. Há mecanismos de mercado que ajustam esses preços. Os colégios, ao aumentarem os preços, a procura vai determinar se se mantêm ou não.

A situação é extensiva às instituições de ensino superior, onde os estudantes manifestam-se contra a subida das propinas. Que medida encontrar para atender as duas partes?

Quando os proprietários entenderem que a medida das subidas dos preços desacelera os lucros, eles alteram sem precisar da intervenção do INADEC. A mentalidade dos estudantes que se manifestam é de quem apreendeu que o Estado é que dá tudo, que o mais importante é resolver o problema do Estado. As universidades e os colégios estão a sofrer apenas o efeito. Não são a causa da alta das propinas. Sabemos que a causa é a situação económica em que nos encontramos. A Economist Intelligence Unit diz que o país vai registar recessão pelo quarto ano consecutivo. Os encarregados e os estudantes devem fazer manifestação contra outra entidade e não contra as universidades e colégios. Se as universidades e colégios não passarem pelo ajustamento, o ensino vai desaparecer.

A consultora britânica Economist Intelligence Unit conclui que a economia angolana só retoma o crescimento a partir de 2021, a uma taxa de 2,3%, altura que perspectiva provável aumento da produção dos sectores nãopetrolíferos da economia. Qual é a sua perspectiva?

As duas previsões, incluindo a do Banco Mundial, quase estão em linha. Só diferenciam no ano. A previsão do BM já sabemos, porque está a intervir em Angola. Essas instituições, regra geral, quando intervêm são optimistas. Considero mais as previsões do Economist Intelligence Unit do que as das BM e do FMI, porque Angola é cliente dessas instituições. Em 2021 a economia só cresce se a reforma estimular o sector não-petrolífero

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