Há cargos e cargos…

Em 1975, quando se deu a Independência Nacional, Angola tinha muito poucos quadros, havia que fazer país com o que existia, a homens quase analfabetos foram atribuídas funções importantes, valia a confiança política e um aparelho securitário próprio de uma ditadura comunista. Porém, a politização dos homens servia como compensação. Havia uma maturidade que permitia que as coisas fluíssem até onde a realidade permitia. O Governo, ciente de que este “paliativo” não serviria para sempre, apostou imediatamente na massificação da escolarização para a formação de quadros. E temos agora alguns homens “importantes” que saíram da aldeia directamente para Cuba, União Soviética, Bulgária, etc. Falando nisso, ontem mesmo uma pessoa me pediu para questionar no jornal o facto de os nossos dirigentes serem agora detentores e exploradores empresariais de colégios e universidades quando eles próprios estudaram sem gastar dinheiro, tenha isso sido na época colonial por via das igrejas, tenha sido por bolsa do Estado no exterior, ou mesmo no sistema público angolano. É preciso um grande descaramento e uma inconsciência muito grande, de facto. Mas, então, voltando aos quadros do Governo, em 1975 angola decidiu que a sua língua veicular e oficial seria a Portuguesa, logo, quarenta e tal anos depois e com nova geração ao leme, os governantes deveriam ser obrigados a dominar minimamente a língua que é seu instrumento de trabalho. E há cargos em que isso é obrigatório. Se um civil pode ser ministro da Defesa, ou um não médico ministro da Saúde, mesmo sem conhecer profundamente as “gírias” próprias destas áreas, já em certos cargos o domínio da língua é o espelho do país, do Governo e do futuro. Não é preciso ser PHD, basta expressar-se bem, porque há vergonhas que o país dispensa.

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