Carta do leitor: A fila dos burros

Se fosse no meu tempo de escola primária, prezado director do jornal OPAÍS, uma certa pessoa, apesar de mui digna, como a devemos tratar pelo cargo que exerce, seria mandada para a fi la dos burros e obrigada a muita ortografi a e cópias, além de ter de ler pelo menos seis páginas de um livro por dia. Parece cruel, é verdade, aos olhos deste novo tempo intelectualmente quase estéril, mas dava e deu muitos bons resultados.

E faz falta, digo-lhe já. A indecência, quantas vezes involuntária a que chegaram os nossos concidadãos, forçará a que a dita personalidade se mantenha fi rme no seu “comprimício” com o cargo e suas mordomias e subleve a ética republicana e a moral que no meu tempo se chamava mesmo de vergonha, e que a levassem a resignar da função. Seria esperar em demasia, nem toda a gente chega a este raciocínio e nível de avaliação das suas próprias competências e dos sinais externos.

Contudo, convenhamos, não é a excelsa pessoa, requintada nos retoques e apuros à sua fi sionámica aparência, caso único candidato à acima referida fi la na sala de aulas. Não. Nem entre as nossas elites sociais e económicas, nem entre as culturais e muito menos entre as políticas, espaço em que, seguramente, entre colegas, muito provavelmente albergue ainda “mais número” do que os outros. Logo, quem censura quem?

Qual é o termos de comparação? Francamente, estamos nós a falar da pasta da Educação nacional. Ou quem a nomeou está a nivelar por baixo as exigências, ou sabendo nós que fi lho de quem manda e tem não estuda em escola pública angolana, o que merecem os pobres é o que lhes é tão requintadamente servido, uma assunpção do Estado.

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