Cocktail molotov

Por: JOSÉ MANUEL DIOGO

O deserto está cheio de sol e a Sibéria coberta de gelo. Isto é tão óbvio que não é preciso ser-se especialista de coisa nenhuma para poder dizêlo, mas esta verdade de algibeira é muito mais importante do que parece. Ela responde à pergunta mais relevante do futuro: quem vai controlar a produção mundial de energias alternativas?

Foi quando vi uma nova ordem mundial sair (de novo) na caneta do senhor Putin que eu gritei Eureka. Quando ele “pediu” a demissão em bloco do governo do seu sócia Medvedev, para poder de novo mudar a constituição a seu favor é que percebi fi nalmente qual a razão.

A Rússia tem um problema que não consegue resolver. A falta de luz solar. Por maior que seja o país dos Czares — e a mim ninguém me convence que Putin não é um desses — nunca vai conseguir competir com a capacidade dos países do sul na produção de energias renováveis.

A Federação é gelada, não tem um único porto de águas quentes no seu território e, no inverno, para chegar ao mar, tem de manter vivo o ditador da Síria e uma guerra genocida que custa a vida a milhares de pessoas inocentes. Mas é a economia Kamrad!

Quando Putin percebe que a economia mundial já mudou para o novo paradigma energético onde tudo é eléctrico e ele ainda não está preparado para liderar esse processo, precisa de mudar as regras para se manter mais tempo no poder. Até ao fi nal da década nenhuma cidade do primeiro mundo vai permitir que carros a gasolina e a gasóleo durmam ao pé das pessoas; a mobilidade urbana das pessoas é hoje radicalmente diferente do que era há 5 anos — e tudo por causa da electricidade. As bicicletas eléctricas deixaram as cidades planas e acabaram com subidas impróprias para cardíacos, transformaram anciãos em atletas potenciais.

O patinetes e trotinetes mudaram a paisagem citadina da hora de ponta e é só uma questão de tempo até os habitantes de qualquer cidade média deixem de ter carro. Nesta realidade, todos, estados, grandes companhias multinacionais, políticos e pessoas, já interiorizaram de forma irreversível a narrativa energia limpa como pilar da sustentabilidade. Nem foi o ambiente a ganhar a guerra, foi a evolução tecnológica.

Porque falo da Sibéria? Porque enquanto isto acontece, a Arábia Saudita está a pensar atapetar o deserto com painéis solares de última geração, tapando mesmo poços de petróleo; Porque no Brasil o sol do equador já convocou o interesse dos maiores investidores europeus em energias renováveis; porque África é um painel solar gigante que fala chinês. A Rússia está fora e a Sibéria não chega. Putin ataca de novo!

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