Editorial: O mal é ser pobre

A palavra justiça deve encerrar e fazer cumprir o seu significado, mais ainda num Estado que se quer democrático e de direito. Em Angola, infelizmente, a elitização forçada de algumas pessoas, mais pelo jogo da esperteza e acumulação de capital muitas vezes ilegal, levou a que a corrupção intelectual se espelhasse até na justiça. Só assim se compreende que o Estado tenha rebentado por completo a vida de um cidadão, acusando-o e condenando-o pela morte de alguém que não morreu e que nunca foi atacado. Pior, apenas um Estado completamente corrompido na sua justiça demonstra o desprezo absoluto pelos danos causados ao cidadão. quase dez anos depois, a justiça assobia para o lado e o homem ficou sem vida. Indemnização? Isso só se ele fosse rico, mas não passa de um campesino do Bié. Se calhar, para a justiça, ele, como milhões de outros angolanos, nem é cidadão, só atrapalha e faz perder tempo.

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