Jogo Maria

Acho que já escrevi nesta coluna alguma coisa sobre o jogo-maria, aquele jogo de futebol sem regras que os mais crescidos decretavam quando estivessem a perder contra uma equipa de mais novos mas mais talentosos. Era um momento de raiva, de estragar tudo, caneladas de todos os feitios e gostos. A ideia era intimidar e marcar golos, ou acabar com o jogo. Coisas da infância. Olhando para o nosso país nestes dias de redes sociais, o jogo político transformou-se em jogo-maria político. Vale tudo, apesar de o povo estar a passar fome de verdade. Agora começam a surgir nas redes sociais cópias de transferências bancárias, documentos oficiais de constituição ou trespasse de empresas; as sentenças aparecem no telefone do cidadão antes de o sentenciado ter dela conhecimento. Está uma festa. E o povo está a passar fome de verdade. Os políticos e o judiciário que disse ter como prioridade o combate à corrupção têm agora expostas as suas mais escondidas vergonhas, todos ficaram com alguma coisa, não há mãos limpas. Não me espantaria se surgissem em breve nas redes sociais até as declarações de bens secretas que os titulares de cargos públicos depositaram na PGR, numa farsa que não lembra o diabo. Vão aparecer, mais tarde ou mais cedo. Nem o Presidente da República está a salvo. Neste jogo-maria há verdades, invenções, falsificações. Há um pouco de tudo. Mas há também um desprezo imenso pelo povo, que passa fome enquanto os senhores vão destapando milhões e milhões uns dos outros em defesa dos seus egos. Olhando para a Sodoma em que se transformou a política angolana, não me espantaria se alguém algum dia tomasse medidas em nome do povo, porque o povo está a passar fome de verdade.

error: Content is protected !!