Falcão pede aos membros do seu Governo que não se distraiam com críticas

O governador provincial de Benguela, Rui Falcão, manifesta-se preocupado com a onda de críticas de determinados segmentos sociais e pede aos membros do seu executivo que não se distraiam e foquem-se apenas na meta defi nida, que passa pela garantia do serviço público

Constantino Eduardo, em Benguela

A posição do Governador de Benguela surge na sequência de uma onda de contestação e críticas social de que está a ser o executivo local devido a processos de peculato e corrupção, envolvendo gestores públicos, facto que motivou a Procuradoria-Geral da República a emitir mandado de captura, na semana finda. Rui Falcão alerta que, em Benguela, os que mais falam sobre anti-corrupção são os mais corruptos, pois estão sempre à procura de uma oportunidade ímpia para ficar com aquilo que é “de todos”, tendo, por isso, chamado à atenção aos gestores públicos para a necessidade de vigiarem. Este facto, argumenta Falcão, ficou evidente quando se procedeu à distribuição de tractores e alfaias agrícolas, mediante concurso público. Segundo afirmou, determinado segmento terá andado a pressionar alguns membros do Governo a entregarem os meios sem garantia de pagamento. “Você que é líder vai se deixar levar com isso.

No dia seguinte, este mesmo que o pressionou é que o vai chamar de “corrupto””, disse. O governador, que falava no encerramento do seminário sobre liderança executiva, promovido pelo Governo Provincial, dirigido a gestores públicos, adverte os seus colaboradores que não cedam a pressões de suborno ou chantagem. “Porque esse indivíduo que te quer chantagear, é o que te vai queimar no dia a seguir… No dia em que lhe der um pão, você acabou a sua história”, considera, para quem bons líderes se distinguem com base na responsabilidade que têm em respeitar às regras instituídas.

“Se eu, governador, for o primeiro a ter casa nas centralidades, que moral tenho para, depois, dizer ao administrador que “não”. Então, outra coisa fundamental, o líder deve ser um exemplo”, refere. Realçou que haverá gente em Benguela cujo objectivo primário seja veicular informação negativa, mas pede aos membros que não se distraiam com as críticas e foquem-se nas tarefas no mais importantes, as de servir o público. “Se você fi ca preocupado com o que irresponsáveis andam aí a dizer, não vai a lado nenhum”, aconselha.

Não realiza obras para agradar a chefes

O governador de Benguela tem sido fortemente criticado devido ao que determinados segmentos sociais, políticos e religiosos chamam de “ingovernabilidade”, levando a CASA-CE a adjectivar o quadro social nos municípios do litoral, fundamentalmente, como sendo “deplorável”.

À estas críticas, Rui Falcão tem respondido com a falta de recursos financeiros e, deste modo, salienta que só realiza obra no limite das suas capacidades. Nesta perspectiva, o governante aproveitou a oportunidade do seminário para falar da sua honestidade, tendo, por essa razão, afirmado que não realiza obras apenas para agradar a chefes, uma prática que caracterizava a província de Benguela, antes de ele ter assumido as rédeas.

“Como alguns aqui queriam. Para vir uma visita aqui, tínhamos de tapar buracos. Nós só devemos mostrar aquilo que valemos, quando mostramos a realidade”, justifica.

error: Content is protected !!