Habitantes de Malanje esperam mais proacção das autoridades governativas

Em torno dos interesses comuns que caracterizam a sociedade, cidadãos de diferentes classes sociais, interpelados por OPAÍS, classificam o ano de 2019 de ter sido bastante voraz, porquanto, exigiu das pessoas muito sacrifício e reinvenção na gestão dos seus compromissos. Porém, almejam que 2020 seja um ano de esperanças renovadas, quanto aos novos desafios em toda sua dimensão, na busca de conforto e de sustentabilidade das acções adiadas dos anos transatos

Miguel José, em Malanje

As questões sociais lideram a agenda de preocupações dos citadinos de Malanje, em face da falta de investimentos no sector social, para dar cobertura aos principais problemas comuns básicos, relacionados com a educação, saúde, saneamento e assistencial, bem como a satisfação individual ligadas a emoções, anseios, ambições e expectativas.

Com a perspectiva de lograrem o melhor rendimento, em prol de si, das suas famílias e, de forma alargada, da sociedade, os cidadãos fazem projecções sobre as várias latitudes da vida em sociedade. No plano social, segundo os interlocutores, o Governo da Província de Malanje (GPM) precisa de encetar maior dinamismo na sua acção governativa na busca de soluções capazes de responder às necessidades básicas das populações que carecem de quase tudo.

Disseram, mesmo, que por falta de um plano director de desenvolvimento a terra de Njinga Mbandi e Ngola Kiluanje está remetida a um ostracismo profundo. O ancião Alfredo Gaspar viaja no tempo e diz que Malanje até 1975, em virtude do seu potencial agrícola, consociada à sua posição geográfica, constava na lista dos distritos (províncias) da Angola colonial que mais se desenvolvia. “O colono, apesar da sua arrogância, a cada ano fazia investimentos de vulto. A partir de 1961, quando António de Oliveira Salazar ´por assim dizer, obrigou os portugueses a investir nas colónias, verificou-se um crescimento vertiginoso”, recordou.

Rendimento vs consumo

O fraco rendimento financeiro combinado com as constantes subidas de preços dos produtos da cesta básica, no entender do funcionário público Mateus Neto, fizeram 2019 um ano para esquecer. Apontou que a entrada em vigor do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) trouxe uma nova fórmula de contribuição fiscal, cujo efeito entre o rendimento e consumo está aquém da satisfação das pessoas. Por isso, deseja que no decorrer do ano em curso, o Governo adopte medidas que visem ajustar os preços dos principais produtos de consumo com base no rendimento dos trabalhadores, na perspectiva de garantir a sustentabilidade das famílias, através do poder de compra. “Espero que este ano o Governo faça ajustamentos que venham estabelecer equilíbrio entre o rendimento e o consumo”, almejou.

Esfera social Para o ano em curso, o GPM deve dedicar-se mais na concretização das acções de índole social que vêm sendo adiadas ano-apósano, por alegada falta de cobertura orçamental. No plano das várias obras, apontam a necessidade da conclusão da Escola Hoji-yaHenda, que há mais de seis anos vem sendo adiada; a reabilitação das vias secundárias e terciárias; a requalificação da cidade que se apresenta com um semblante irrisório e pouco acolhedor; a cobertura de electricidade por todo território e a distribuição de água potável para todos.

Embora reconheça que, entre as previsões do Orçamento Geral do Estado (OGE) e as cabimentações para a execução dos projectos de dimensão social, nem sempre exista casamento, o ancião Alfredo Gaspar, que durante a sua vida activa foi funcionário do Estado, sugere que o GPM deve encontrar soluções ao invés de lamentações. Observa que com iniciativas locais, com mais empenho e determinação na definição das metas a atingir, paulatinamente, as entidades governativas podem ir acudindo às situações pontuais de baixo custo, para minimizar as grandes carências das populações. “Se outras províncias conseguem dar alguns passos para a frente, por que é que Malanje continua estagnada (?)”, questionou

. O sociólogo Octaviano Lucas argumenta que, à luz das suas obrigações de proporcionar o bem-estar comum das populações, neste ano que acaba de nascer, o GPM deve-se empenhar mais no sentido de desenvolver acções que se julgarem necessárias para a concretização dos projectos de âmbito social que, inexplicavelmente, se arrastam há vários anos. “Os cidadãos não podem continuar a viver de promessas. É preciso que o GPM seja mais pró-activo na resolução dos problemas sociais, na sequência dos compromissos que tem com público consumidor e contribuinte”, alegou.

Premissa de desenvolvimento

O estudante Daniel Samba considera que o desenvolvimento social traduz-se numa esfera multi-dimensional, que abarca um conjunto acções transversais, devidamente concertadas, tendo como base os recursos humanos. Desde logo, sugere que, doravante, o Estado tem o dever de traçar premissas consentâneas de desenvolvimento amplo que afiancem os incentivos e estabeleçam pilares de sustentabilidade para o benefício os cidadãos. Em razão disso, espera que as universidades devem ser chamadas para, com o seu conhecimento científico, participarem nos projectos do Estado, de forma a haver maior consistência nas tomadas de decisões.

“É preciso que o Governo interaja mais com a academia para melhor construir as suas decisões”, sublinhou. Na mesma sequência de pensamento, o académico Amadeu Barros considera que eis chegado o momento de o Governo se engajar em criar premissas de desenvolvimento económico e social, para que a universidade possa cumprir o seu papel no campo investigativo e científico, no sentido de produzir frutos e assim prestar o seu tributo, em prol do bem-estar dos cidadãos. “O Governo deve aproveitar a universidade para superar a crise económica e social que afecta a sociedade e a todos nós”, rebateu.

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