Moradores do 5º andar do prédio Bambú no Lubango em risco

Pelo menos 14 pessoas que vivem no quinto andar do prédio vulgarmente conhecido por Bambú, no Bairro Comercial Urbano, cidade do Lubango, correm risco de vida há mais de três anos, por causas das fissuras resultantes de uma obra inacabada, no terraço

POR: João Katombela, na Huíla

Os riscos de vida que as 14 pessoas de um conjunto de três famílias correm na cidade do Lubango, capital da Província da Huíla, resultam de um acto praticado supostamente por um coordenador do referido prédio, que pretendia erguer uma área de lazer no terraço. Alguns dos habitantes do prédio Bambú afirmam que Onésimo Ngongo, o coordenador do prédio, terá usado fundos provenientes de um banco que colocou uma publicidade estática no edifício.

Sem adiantar o valor monetário, Almeida Lidóque, morador do quinto andar do edifício, disse que o coordenador não deu o destino certo aos valores, o que fez com que as obras no terraço ficassem paralisadas. Assim, o terraço ficou sem a cobertura e sempre que chove há infiltração de água nos apartamentos, causando sérios danos aos proprietários, segundo Almeida Lidóque, que falou à nossa reportagem e adiantou que no seu apartamento a infiltração causou grandes estragos na instalação eléctrica, no pavimento e aos móveis. “Desde 2017 que o vizinho tentou fazer uma obra no terraço, que, segundo ele, seria uma zona de lazer, com o dinheiro do subsídio do banco, por causa da publicidade, mas, até ao momento, não consegue concluir as obras e deixou o terraço sem cobertura, o que tem sido constrangedor para os moradores do quinto andar do Bambú”, reforça.

Almeida Lidóque disse ainda que, por causa disso, o risco de algum membro da sua família morrer electrocutado tem estado à espreita, já que várias vezes as águas atingem o sistema eléctrico do seu apartamento. No andar afectado vivem, para além de crianças, idosos, e no seu apartamento já não pode ligar as lâmpadas porque as paredes estão todas molhadas. Moisés do Amaral Gourgel, outro morador do quinto andar, disse que teve de retirar a sua mobília da sala pelo facto de a mesma encontrar- se alagada. Aflito, o nosso interlocutor disse que, por causa dos danos causados pela acção do coordenador, os moradores já notificaram a Administração Municipal do Lubango, bem como o Serviço de Investigação Criminal para o devido tratamento. Depois de os moradores terem notificado estas instituições públicas, nunca obtiveram qualquer resposta tendente à resolução do problema que já se alastra há três anos. “Ele diz que a Administração Municipal do Lubango autorizou-o a retirar a cobertura do prédio, para fazer algumas obras, mas a nós a Administração disse que não autorizou. Acho que só se preocuparão em resolver esta questão quando o prédio desabar e causar vítimas mortais. Será que é necessário escrever ao governador ou ao Presidente para ter a solução, quando ele colocou aqui pessoas competentes?”, questiona.

Coordenador fala em abaixo-assinado

A nossa reportagem contactou o coordenador Onésimo Ngongo, que disse ter procedido à retirada da cobertura do prédio através de um abaixo-assinado dos moradores apresentado à Administração Municipal do Lubango. “Este problema de infiltração não é de hoje, é antigo, nessa altura eu retirei para colocar uma cobertura nova. Tem um abaixo-assinado com os moradores que foi remetido à Administração Municipal”, sublinhou. Já um técnico do gabinete de fiscalização da Administração Municipal do Lubango, Venâncio Rodrigues, disse desconhecer qualquer pedido de realização de obras neste prédio. Venâncio disse ainda que Onésimo terá citado a Administração para fugir das suas responsabilidades. Ainda assim, o técnico da fiscalização apontou que será aplicada uma multa ao coordenador e será obrigado a repor a cobertura do referido prédio para se evitar danos maiores. “Vamos notificar a pessoa responsável por este problema, as nossas autorizações são com base em licença por escrito e ele não tem. Está a dizer que nós autorizamos e esta afirmação não colhe, é uma forma que ele encontrou para escapar às responsabilidades”, rematou.

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