Nas mãos dos tribunais

Pode parecer caricato, mas, entre as várias leituras que se pode fazer do actual momento angolano, há que admitir que o futuro do Governo e de João Lourenço depende dos tribunais. É nos tribunais que está tudo amarrado, felizmente para o povo, mas é também no espaço dos tribunais, justiça, que se trava uma das mais duras guerras do momento. A forma atabalhoada e triunfalista com que se começou o processo da luta contra a corrupção, com forte aposta na propaganda muitas vezes barata, colocou o país nas mãos da PGR e dos tribunais, estes ultimos por serem quem decide, embora o Ministério Público possa também fazer os seus estragos. Se a propaganda inicial se vestiu de um triunfalismo absurdo, rotulando cada indiciado, ou apenas suspeito, como criminoso, o que somou alguns ganhos políticos, diga-se, cabe agora aos tribunais decidir neste jogo de que pode depender o futuro político até do Presidente. É assim: se os processos forem justos, as provas inatacáveis e as decisões correctas e favoráveis ao Estado, a justiça sai reforçada e politicamente o Governo fica mais do que reforçado. Se a justiça for mal aplicada em favor do Estado, o Governo pode ganhar, mas com danos, e os juizes, alguns deles terão de se exilar no futuro, ou conhecerão também momentos difíceis nas suas vidas, mas se a justiça for bem feita e desfavorável ao Estado na maior parte dos grandes processos, então, com os recursos e meios que se está a aplicar, com a imagem do país que pode ficar esfarelada, e com os “contra-processos” que se seguirão contra o Estado, dificilmente o Governo sobreviverá à pressão social e política. E nisto tudo, o tempo conta…

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