EuroBic “encerra portas” comerciais à Isabel dos Santos, mas esta não desarma

Na sequência das informações reveladas pelo caso Luanda Leaks, o banco EuroBic informou em comunicado, esta Segunda-feira, que decidiu “encerrar a relação comercial com entidades controladas pelo universo da accionista Eng.ª Isabel dos Santos e pessoas estreitamente relacionadas com a mesma”

O banco refere que tomou esta decisão “na sequência dos eventos mediáticos suscitados pela divulgação de informações reservadas relativas à Eng.ª Isabel dos Santos – apresentadas internacionalmente como Luanda Leaks – e a percepção pública de que este Banco possa não cumprir integralmente as suas obrigações pelo facto de a Eng.ª Isabel dos Santos ser um dos seus accionistas de referência.” A administração esclarece ainda que “os pagamentos ordenados pela cliente Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) à Matter Business Solutions respeitaram os procedimentos legais e regulamentares formalmente aplicáveis no âmbito da regular relação comercial existente entre este Banco e a Sonangol, designadamente os que se referem à prevenção do branqueamento de capitais.”

Na tarde desta Segunda-feira, o canal de televisão português Sic adiantara já que o Banco de Portugal tinha criado um gabinete de crise para avaliar a situação do banco, detido em 42,5% por Isabel dos Santos.

“Quem beneficia disto?”

“As alegações que estão a ser feitas contra a minha pessoa são completamente infundadas”, começa por dizer Isabel dos Santos num comunicado que enviou ontem a diversos órgãos de comunicação social, em reacção à divulgação do chamado Luanda Leaks, que se diz composto por 715 mil ficheiros que explicam o percurso da empresária na criação da sua fortuna. “Trata-se de um ataque político orquestrado e bem coordenado, numa tentativa de me neutralizar” prossegue. E junta: “Mais de 700.000 documentos foram ilegalmente pirateados dos meus escritórios há sete meses e transferidos para uma organização pouco conhecida sediada em Paris, de onde foram enviados para o ICIJ (um consórcio internacional de jornalistas de investigação)”.

Mas Isabel dos Santos diz que o ICIJ baseou p seu relatório em “nada mais do que suposições”. “Em nenhuma parte destes documentos ou na sua divulgação foi demonstrado qualquer comportamento ilegal da minha parte ou das minhas empresas. É preciso questionar: quem beneficia do crime de obtenção ilegal destes documentos?” E Isabel dá ela própria a resposta: “Não são certamente os angolanos. Bem pelo contrário. Existe uma preocupação do meu lado que, como resultado desta campanha de perseguição política, milhares de empregos nas empresas angolanas das quais faço parte possam ser prejudicados”.

Mais adiante, a empresária diz que grande parte dos seus investimentos e empresas tiveram como fundos o apoio de financiamento interno e externo junto da banca comercial à qual paga juros e prestações regulares. “Quando se questionam as origens dos fundos, na maioria dos casos são receitas geradas pelo próprio negócio e dividendos ganhos ao longo de 20 anos e que reinvesti”. Isabel afirma. Mais adiante, que O ICIJ, organização que está a ser usada como representante numa luta para neutralizar adversários políticos e vozes alternativas.

“20 mil empregos e uSd 100 milhões de impostos” Isabel diz-se vítima de uma táctica de diversão, perante as eleições no MPLA no próximo ano, que tenta neutralizar diferentes vozes e outras opiniões políticas. Diz que passou 20 anos a construir negócios de sucesso, a criar milhares de empregos e a pagar impostos às autoridades angolanas e que todas “as minhas transações comerciais foram aprovadas por advogados, bancos, auditores e reguladores”.

“Criei mais de 10 empresas comerciais de raiz nos sectores das telecomunicações, retalho e banca e que são atualmente líderes de mercado. No conjunto emprego mais de 20.000 pessoas. Através das minhas empresas, lidero o principal grupo privado e somos um dos maiores pagadores de impostos no país. No ano passado, os meus negócios pagaram mais de 100 milhões de dólares em impostos”.

Luta vai para justiça internacional

“A actual campanha contra mim é puramente política”, afirma Isabel, para depois avançar que a economia angolana encontrase muito mal. “Ao longo dos últimos dois anos o preço do petróleo tem sido alto mas, apesar disso, a nossa moeda perdeu dois terços do seu valor e mais de 40% dos jovens angolanos não têm emprego”. Isabel diz também que em vez da redução da pobreza, “temos assistido ao empobrecimento de uma classe média que antes estava em crescimento e à destruição da economia privada com uma política económica desalinhada”. Por fim, Isabel diz que procurará repor a verdade dos factos e lutar através dos tribunais internacionais “para defender o meu bom nome”. E enquanto patriota, remata, “farei sempre o que sinto como dever para com o meu país e enquanto mulher angolana acredito fazer a diferença”.

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