Pobres de ricos

Segue e soma o “alarido” em torno de Isabel dos Santos. Em Portugal parece ser assunto pessoal de alguns, tal como cá. Há os irracionais que não questionam e a apoiam incondicionalmente, tal como há irracionais que não lhe dão um milímetro de presunção de inocência e apelam à punição sem julgamento. Há de tudo, enquanto o povo passa fome. E seja com advogados, relações públicas etc., de parte a parte, um bom dinheiro vai ser gasto no Ocidente, outra vez. Nestas coisas, se não há orquestração, como diz a acusada, há pelo menos quem tire proveito e esfregue as mãos de contente, e se mais lenha houver ao lado, mais lenha lançará ao fogo.

É normal. É habitual na “alta roda”, não estávamos é habituados ao mau cheiro que de lá vem, mas sempre houve. Porém, destacando-se da deriva punitiva, emerge alguma razão até de pessoas de quem seria inesperado neste caso. Vi um post de Sizaltina Cutaia, que não me parece amiga de Isabel, a apelar para que o país não se foque apenas no suposto roubo da empresaria, mas repense as instituições que o teriam permitido, ou seja, que se analise as fragilidades do Estado. Aliás, como ela diz, roubos continuarão a existir, se não se olhar para o problema maior. Ora, aqui está um pormenor importante, que levanta algumas questões.

O que fi zeram uns tantos com o dinheiro supostamente roubado? Por que não tem Angola muitos multimilionários? Das duas uma: ou roubaram e não empreenderam, ou roubaram e tentaram empreender e faliram. Não tiveram jeito. Ok, há uma terceira, seja, mas não acredito: Isabel é a única a “corrupta” neste país. Isto só pode ser brincadeira. Seja como for, esta guerra chama a atenção para o facto de sermos tão pobres em ricos.

Quantos multimilionários empreendedores assumidos temos em Angola? Um país sem ricos e empreendedores não vai a lado algum, e isto estamos a senti-lo no meio desta crise, ninguém cria empregos, o que é triste para o nosso país. Temos de ultrapassar esta vergonha de não termos ricos poderosos e criadores de riqueza, fundamentalmente fora da política e das instituições do Estado. Nada a ver com o caso Isabel, por favor, não confundam.

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