Reino Unido reitera apoio a África

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, declarou nesta Segunda-feira, em Londres, que o futuro do mundo estará em África e o seu país está pronto para ajudar os povos africanos com parcerias sustentáveis

Ao intervir no acto de abertura da Cimeira de Investimento Reino Unido-África, afirmou que as novas políticas de imigração da Grã-Bretanha, após o Brexit, resultarão em benefícios para os africanos, tendo anunciado um financiamento de 620 milhões de libras. O novo “pacote financeiro” servirá para apoiar projectos de exportação de produtos do Reino Unido para o “continente berço”, particularmente ligados às infraestruturas, incluindo o financiamento de leitos hospitalares e centros de saúde no Ghana e na Zâmbia.

Os 620 milhões de libras vão ser usados também na construção de um parque empresarial no Uganda, bem como servirão para ajudar a melhorar as estradas no Gabão. No seu discurso, Boris Johnson defendeu melhores relações comerciais com os africanos, que disse terem excelentes recursos naturais e minerais, mas falta-lhes optimização e ambição. Segundo o governante, as universidades inglesas estão prontas para formar a nova geração africana, tendo em vista os desafios do futuro e o desenvolvimento de África. Noutro domínio da sua intervenção, Boris Johnson falou sobre o acordo sustentável com o Quénia, que permitiu a criação de vários postos de trabalho naquele país. Sublinhou que, fruto dessa parceria, o povo queniano tornou-se fornecedor exclusivo de chás e raízes para o Reino Unido.

Falou, igualmente, sobre as vantagens do uso de energias renováveis e limpas, tendo aconselhado os Estados africanos a optarem por esse tipo de energia, para ajudarem a reduzir a poluição. Manifestou interesse em trabalhar com novos parceiros africanos, em particular em Angola, no Ghana e na Nigéria, na produção e distribuição de frangos. Conforme disse, há mercado e matéria-prima para fazer negócio com esses três “grandes” importadores de frango. No discurso de abertura do evento, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse querer tornar o Reino Unido o “parceiro de investimento favorito” dos países africanos, apesar de reconhecer a concorrência de outras potências, como a China, a Alemanha e a França.

A propósito da Cimeira, o ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, afirmou que o país vive um novo paradigma de governação e conta com o apoio do Reino Unido. Em declarações à imprensa, disse que o Reino Unido, enquanto um dos principais centros financeiros do mundo, pode ser determinante na canalização de investimentos em sectores-chave da economia, como agricultura, agro-indústria, turismo, indústrias transformadora e extractiva, ou telecomunicações. “Estamos nesta cimeira para passar esta mensagem e que mais investimentos fluam para Angola em vários domínios”, afirmou Manuel Nunes Júnior, que chefia a delegação de Angola nesta Cimeira de Investimento, em representação do Presidente João Lourenço.

Vinte e um países africanos estão representados no evento, no qual participam os presidentes da Côte d’Ivoire, República Democrática do Congo, Egipto, Ghana, Guiné, Marrocos, Moçambique, Nigéria, Quénia, Malawi, Mauritânia, Rwanda, Senegal, Serra Leoa e Uganda, bem como o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki. Além de vários líderes africanos, participam no encontro homens de negócio, entre os quais responsáveis de empresas como o Standard Bank, Vodafone, BP, G4S ou Associated British Foods e membros do Governo britânico, como a ministra do Comércio, Elizabeth Truss, e da Economia, Andrea Leadsom. O único representante dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, foi para intervir no painel “Oportunidades de Crescimento em África” e presidir a uma mesa-redonda sobre o seu país.

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