Carlos Rosado: Nomeação do então ministro da Economia terá sido erro de casting

O jornalista e analista Carlos Rosado de Carvalho considera chegada a pasta da Economia e Planeamento do recém exonerado ministro um erro na escolha

“Quando o Presidente da República nomeou o então ministro para esta pasta eu já achava que a pessoa certa era o Sérgio Santos”. O comentário é do economista e jornalista Carlos Rosado de Carvalho convidado, ontem, a analisar a recente remodelação efectuada por João Lourenço. Carlos Rosado, considera o ministro cessante “mau cumunicador” dentre outros defeitos para uma pessoa incumbida da responsabilidade da micro economia do país. Rosado confessa que não compreende a lógica seguida pelo PR, senão a de seguir as pegadas do seu antecessor que é de exonerar por exonerar.

“Em toda parte do mundo as remodelações devem ser precedidas de algo especial ou motivadas por justificações atendíveis” o que não tem estado a acontecer com o actual Presidente da República. Os chefes de governo (Presidentes e Primeiros-Ministros) “fazem remodelações quando acontece algo relevante ou a meio do mandato e quase sempre a remodelação envolve vários ministros”, todavia por cá o PR “vai fazendo remodelações aos mirins” o que por si só deixa os membros do governo de sobressalto. Carlos Rosado considera que nesta lógica, os Auxiliares do Titular do Poder Executivo “estão sempre com o coração na mão a pensar se serão os próximos a sair”.

Carlos Rosado considera “a arquitectura do nosso Governo” como sendo errada, principalmente por ser uma equipa estruturada para combater a crise. “Por mim o sector económico podia ser reduzido ao mínimo de pastas fundindo economia, indústria, comércio, turismo e hotelaria numa só, enquanto as atribuições da área do planeamento podiam ser repassadas para o Ministério das Finanças”, asseverou o especialista.

Precioso Domingos: nomeação do novo ministro da Economia revela instabilidade governativa Em declarações à agência Lusa, Precioso Domingos reagia à exoneração, na Terça-feira, de Manuel Neto da Costa do cargo de ministro da Economia e Planeamento, para o qual foi nomeado Sérgio de Sousa Mendes dos Santos. Precioso Domingos frisou que esta “instabilidade governativa” vem desde final da década de 1980, início da década de 1990, quando as primeiras reformas se iniciaram, no âmbito da instauração da economia de mercado, na sequência do regime democrático que Angola declarou. “Sempre foi assim, tendo mesmo chegado a um momento recorde, em que num ano foram mudados ministros das Finanças nove vezes”, exemplificou.

E acrescentou: “Quer dizer, isso é instabilidade governativa, nós estamos a falar de um país em que o partido que governa tem maioria qualificada, mas parece que o Governo é mais instável, por exemplo, do que em São Tomé e Príncipe”. Para Precioso Domingos, tal como o Presidente da República tem um mandato de cinco anos, “era importante que ele tivesse muito cuidado também ao seleccionar os seus auxiliares, de forma a estes terem um mandato”.

“Por outro lado, o Presidente da República deixa as pessoas que nomeia muito confusas, quando não são definidas metas, não é dito o que é que se espera dos titulares ministeriais”, frisou, exemplificando que o antigo ministro foi exonerado, mas “não se disse, do ponto de vista da performance” onde terá falhado e nem se sabe publicamente o que se espera do nomeado. Manuel Neto da Costa esteve a frente do Ministério da Economia e Planeamento desde Julho do ano passado altura em que foi nomeado em substituição de Pedro Luís da Fonseca. Manuel da Costa tinha sido antes (desde 2013) Presidente do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).

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