“Luanda Leaks” não surpreende UNITA

O maior partido da Oposição considera que a série de reportagens desenvolvidas pelo “Luanda Leaks”, que revela o “escândalo de corrupção protagonizado pela filha do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a empresária Isabel dos Santos”, veio apenas confirmar o que ele próprio e outras vozes da sociedade civil vinham denunciando ao longo dos anos

O secretário de Comunicação e Marketing da UNITA, Marcial Dachala, disse, ontem, em Luanda, que o teor dos documentos revelados esta semana de forma simultânea pelos mais vários meios de comunicação nacionais e internacionais, no âmbito do “Luanda Leaks”, que é uma serie de reportagens desenvolvidas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas, em nada surpreende a sua formação política. Segundo Marcial Dachala, “há quase 40 anos que a UNITA identificou a corrupção, o saque do património público, a incompetência e o desprezo pelos direitos fundamentais da pessoa humana como traços fundamentais da cleptocracia, que capturou o Estado”.

O político afirmou que “a corrupção faz parte da cultura do partido no poder desde os primórdios da Independência”, e agravou-se com os métodos de privatização de um conjunto de empresas que foram revertidas a favor dos dirigentes do MPLA, partido no poder. “Ela (corrupção) consolidou-se com a adopção, pelo MPLA, da política de acumulação primitiva de capital que conduziu os angolanos à condição mais abjecta de pobreza e miséria”, denunciou.

Acrescentou ser convicção da UNITA que “a corrupção sistémica alimentada pelo regime” teve sempre por finalidade a “manutenção do poder”, apontou. De acordo com Marcial Dachala, a série de reportagens desenvolvidas pelo “Luanda Leaks”, que revela o escândalo de suposta corrupção protagonizada pela filha do ex-Presidente da República, Isabel dos Santos, veio apenas confirmar o que a UNITA, personalidades da sociedade civil e sectores da comunidade internacional foram, vezes sem conta, denunciando ao longo de todos esses anos. Apesar das denúncias, Dachala defende que a luta contra a corrupção seja feita de forma célere e generalizada, responsabilizando todos os prevaricadores.

O político disse ainda que a UNITA esteve sempre na linha da frente do combate à corrupção, tendo feito, ao longo dos anos, vários pronunciamentos sobre o assunto. Informou que, recentemente, o seu partido solicitou várias comissões parlamentares de inquérito ao Banco Espírito Santo de Angola (BESA), a Sonangol, ao Fundo Soberano de Angola e à Dívida Pública, mas sem sucesso. “E, infelizmente, todas estas comissões propostas pela UNITA jazem, até hoje, nas gavetas da Assembleia Nacional”, lamentou.

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