Nova família do kwanza reabre transmissão em directo dos debates no Parlamento

Vinte e oito anos depois da criação da Assembleia Nacional, é chegado o momento de as sessões parlamentares voltarem a ser transmitidas em directo na televisão e na rádio, depois de longa interrupção e vários adiamentos sob alegação de questões técnicas

As propostas de lei que autoriza o Banco Nacional de Angola(BNA) a emitir e pôr em circulação uma nova família de notas do Kwanza, a da identificação ou localização celular entre outras, vão hoje à votação final global na IV Reunião Plenária da Assembleia Nacional, cujas sessões, doravante, passam a ser transmitidas em directo. O deputado do PRS, Benedito Daniel, disse que a transmissão em directo das sessões plenárias representa um grande passo e de interesse público, por se tratar de um assunto que há muito vinha sendo solicitado pelos partidos políticos na Oposição.

Com este passo dado, Benedito Daniel defende para os próximos tempos a criação de um canal televisivo da própria Assembleia Nacional, para não depender dos órgãos públicos. O parlamentar recordou que foram anos a pedir a transmissão em directo das sessões plenárias e dos debates da Assembleia Nacional, mas sem sucesso, e o início, hoje, pela Televisão Pública de Angola (TPA) e pela Rádio Nacional de Angola (RNA) marca uma nova viragem na história do próprio Parlamento. A fonte acrescentou que, doravante, as sessões constitutivas, as sessões solenes, as discussões do Orçamento Geral do Estado (OGE) e as sessões de aprovação da Conta Geral do Estado (CGE) passam a ser acompanhadas em directo pelo público interessado.

O líder do PRS disse que as coberturas que eram feitas até aqui não correspondiam às expectativas dos cidadãos que pretendiam acompanhar o que se discute na casa das leis. “Isto não era suficiente, porque essas transmissões durante uma legislatura ocorriam apenas três ou quatro vezes”, disse, para quem a Assembleia Nacional mantinhase fechada e os cidadãos desinformados do que ocorria. Benedito Daniel disse que essa primeira transmissão será uma oportunidade, já que a Assembleia vai abrir as suas portas e levar os seus trabalhos até à sociedade e à casa de cada cidadão. As transmissões serão feitas numa primeira fase através da Televisão Pública de Angola (TPA) no seu canal dois, e da Rádio Nacional de Angola.

O político considerou que isso ainda não é o suficiente, sendo que o canal dois não tem a cobertura máxima para todo o país.
Criação de um canal parlamentar O deputado defendeu a criação de um canal que possa dedicar-se à transmissão em directo de todo o trabalho que a Assembleia Nacional possa fazer, não apenas as sessões plenárias, mas também os debates na especialidade. Avançou que o mais importante agora é que a própria Assembleia comece a trabalhar para não estar presa nas televisões públicas. Salientou a necessidade de se pensar agora na formação de quadros, na aquisição de equipamen
tos modernos e na legalização de uma televisão que possa ser parlamentar.

O anúncio sobre a transmissão em directo das reuniões plenárias da Assembleia Nacional foi feito recentemente pelo Presidente da República, João Lourenço, decisão que foi aplaudida pelos representantes dos partidos políticos com assento parlamentar. Entretanto, a UNITA, na voz do seu presidente, Adalberto Costa Júnior, apesar de saudar a iniciativa do Presidente da República, criticou-o pelo facto de a decisão da transmissão dos debates ter partido dele, alegando haver uma sobreposição do Executivo em relação ao órgão legislador.

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