PGR desmente perseguição política contra Isabel dos Santos

Mas confirmou que é arguida dos crimes de que é acusada, sem, entretanto, avançar mais pormenores à volta da empresária

O procurador geral da República, Hélder Pitta Grós, desmentiu, ontem, em Luanda, que a instituição que dirige esteja a perseguir a empresária angolana e filha do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, por questões políticas. Falando exclusivamente a órgãos públicos, para comentar o caso “Luanda Leaks”, uma investigação feita por um consórcio de imprensa internacional, justificou que a Procuradoria Geral da República não é uma instituição de partidos políticos. “A PGR não é um órgão político e nem faz parte de um partido político”, assegurou o procurador, realçando que a instituição que dirige está a investigar casos de denúncias que lhe chegam e não questões políticas.

Mas confirmou que Isabel dos Santos é arguida num processo relacionado com crimes de que é acusada, sem, entretanto, avançar mais pormenores à volta da empresária. Na passada semana, a empresária Isabel dos Santos enquadrou as denúncias que têm vindo a público contra si e contra o seu património como tendo o pendor político de perseguir a família do ex-Presidente da República. Sobre as revelações de “Luanda Leaks”, Pitta Grós informou que a PGR vai ser cautelosa no tratamento de todo o documento obtido de forma legal, através desta investigação que envolveu 120 jornalistas de 20 países.

No que concerne à investigação do património, assentado em 14 países, como Mónaco, Dubai e outros, o procurador-geral da República disse ser um trabalho moroso e que leva tempo. Em conversa com os jornalistas, Pitta Grós sublinhou que, além da empresária Isabel dos Santos, antiga presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sonangol, há outras investigações nesta empresa pública e de que a seu tempo os resultados serão tornados públicos.

Segundo o magistrado do Ministério Público (MP), Isabel dos Santos não é a única que está a ser investigada na Sonangol, mas também outros gestores que por lá passaram. Além de Luanda, de acordo com o procurador-geral da República, há também investigações sobre denúncias de escritórios da Sonangol em Londres.

Outros “pesos pesados”

Na entrevista desta Quinta-feira, 22, Hélder Pitta Grós revelou que estão também sob investigação outros antigos gestores públicos suspeitos de crimes de peculato, designadamente Higino Carneiro, ex-governador de Luanda, e Manuel Rabelais, antigo ministro da Comunicação Social e ex-director do GRECIMA, e o ex-embaixador de Angola na Etiópia, Arcanjo do Nascimento.

Recuperação de activos Sobre esta matéria, o magistrado disse haver cidadãos que estão a colaborar com a justiça no que concerne ao repatriamento de capitais, cuja recuperação de activos e património “eram inimagináveis”, disse. Nos últimos tempos, segundo Hélder Pitta Grós, aparecem cidadãos a questionar como devem colaborar com a justiça para repatriarem os bens retirados ilegalmente do país.

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