Sem ética no ADN

Agora que há esta nova febre de tudo privatizar e de dizer que o sector empresarial privado é a salvação das nossas vidas, digo já que estou com algum receio. Não por pensar que o Estado deva continuar a comandar as empresas e a economia, mas porque sei, “todas mães sabem”, que não existe em Angola qualquer fábrica de novos empresários, ou, melhor, de novos cidadãos. Todos sabemos que teremos mais do mesmo, que serão o do poder e arredores a ficar com as empresas e a formar o tal “novo empresariado”.

E todos sabemos que os incapazes que já faliram empresas, ou que simplesmente as utilizaram para engrossar cofres estão agora a ter uma oportunidade de reciclagem, são agora os mais interessados em afastar empresários de verdade para ver se lhes ficam com os negócios, só que há gente sem jeito mesmo e que tem o dom de falir tudo em que toca. Por outro lado, não vejo qualquer tipo de movimentação para a regulamentação ética dos negócios em Angola, ou de educação, se quisermos.

Olhemos para o Governo e escolhamos quem realmente não tem um negócio, ainda que em nome da empregada lá de casa, é aí que reside a nossa maka maior. Tudo o que é lei e regulamento gravita em torno de interesses de quem manda, ou, por exemplo, se fosse diferente, há muito algum ministério teria regulamentado o desenho e actuação das clínicas privadas.

É desumano que a primeira coisa com que um aflito dá numa clínica seja o caixa, antes da triagem, antes de ver um enfermeiro, uma cadeira de rodas, uma bata. Há gente mo Governo detentora de “clínicas- máquinas registadoras”, são estes que vão mudar alguma coisa?

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