Duas angolanas esquecidas

Eu não sou dos que fi zeram das transmissões televisivas dos debates na Assembleia Nacional um caso de vida ou morte. Não creio que a TV altere a correlação de forças e muito menos que torne os nossos deputados mais inteligentes. Não creio, sequer, que tais transmissões se vão tornar campeãs de audiência. Acho que a democracia e a transparência podem ser medidas também por outras vias, sobretudo pelo que sentimos no dia-a-dia das nossas vidas.

Com o nosso sistema político, julgar-se que pôr câmaras no Parlamento vai alterar alguma coisa é pura ingenuidade, ou brincadeira de muito mau gosto. Mas talvez surjam algumas anedotas para divertir o povo. Dava mais jeito abrir-se um canal do próprio Parlamento e deixar que os jornalistas tenham acesso ao hemiciclo, em vez de os prender numa sala. E, já agora, desmontar aqueles muros e cancelas em torno do edifício.

Agora que o jogo é feito à porta aberta, pelo menos algumas pessoas, talvez se dêem conta do tipo de angolanos que elegeram. Por exemplo, uma angolana foi espancada por um agente da Polícia em Portugal e nem do Executivo, nem do Parlamento saiu uma nota de protesto. Uma angolana foi alvo de um roubo cibernético e o resultado foi exposto lá fora, e nem a Procuradoria Geral da República, nem o Executivo e nem o Parlamento emitiram uma nota sobre o assunto.

É preciso não confundir a acção da justiça angolana sobre cidadãos angolanos com a obrigação que o Estado tem de defender qualquer cidadão nacional, independentemente das circunstâncias. Só para fi nalizar, será que vão transmitir também as sessões de educação física no ginásio “par(a)lamentar”?

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