JL GALGA 19 LUGARES NA TRANSPARÊNCIA

As alterações registadas em Angola sob liderança de João Lourenço, com maior realce para o combate à corrupção, fizeram com que o país melhorasse 19 lugares no ranking da Transparência Internacional

O director-geral da organização nãogovernamental ADRA, Carlos Cambuta, considerou que a subida de Angola, de 19 lugares, no índice da Transparência Internacional, vai permitir ao país fortalecer a sua relação de confiança com o outros organismos externos e internos, o vai que contribuir para a angariação de maiores recursos que se vão reflectir, posteriormente, na melhor definição das políticas públicas que terão respaldo na vida dos cidadãos.

A avaliação anual promovida pela organização Transparência Internacional (TI), com sede em Berlim, assinala que Angola conquistou mais sete pontos do que na edição de 2018, tendo agora 26. Esta conquista de pontos, numa escala em que zero corresponde a países com altos níveis de percepção da corrupção e 100 a países livres de corrupção, catapultou o país da 165.ª para 146.ª posição. Para Carlos Cambuta, esta subida deveu-se a uma maior abertura dos procedimentos de justiça que o país tem levado a cabo nos últimos anos, fundamentalmente no combate à corrupção, que é a principal bandeira de governação do actual Executivo.

Porém, com este reconhecimento, o activista cívico disse que o país poderá ver a sua diplomacia, a nível do mundo, mais respeitada e alargada, facto que poderá atrair maior investimento estrangeiro. Conforme explicou, durante muito tempo Angola esteve nas piores classificações sobre governação e transparência. O acentuando nível de corrupção e os processos burocráticos retraíram, durante anos, os investimentos externos, situação que complicou o ambiente de negócios. Todavia, com a nova classificação, o especialista entende que o reconhecimento do processo de combate à corrupção e a melhoria da boa governação vão fazer com que Angola saia do marasmo em que se encontra perante a comunidade internacional. “Todo o investidor deseja sempre investir num país onde haja transparência e boa governação. Isso atrai a geração de empregos que posteriormente se vão reflectir na qualidade de vida das pessoas”, esclareceu.

Esforço deve ser contínuo e transversal

Carlos Cambuta defende ainda que o esforço e a vontade política de combater a corrupção, um dos piores males, que contribuiu para o atraso do país, devem ser um processo contínuo e transversal no âmbito dos procedimentos de justiça. Segundo o director da ADRA, a justiça deve fazer o seu trabalho e estender as suas acções a todos os cidadãos, responsabilizando as pessoas e as organizações que não souberam dar o melhor caminho aos recursos públicos.

“A justiça precisa de fazer o seu trabalho apenas. O país tem que avançar, sobretudo nesta fase em que está a ser reconhecido pelas organizações internacionais”, apontou. De referir que, com essa classifica, Angola melhora, assim, pelo segundo ano consecutivo, a sua avaliação em matéria de percepção da corrupção, depois de em 2018 ter subido dois lugares, passando do 167.º para o 165.º, com uma pontuação de 19.

Classificando como “significativos” os progressos conseguidos, o relatório assinala, no entanto, que, dado o seu baixo nível geral de pontuação, o país se mantém abaixo da média global (43 pontos) dos 180 países analisados. O relatório coloca Angola entre os países a monitorizar, assinalando as reformas introduzidas pelo Governo liderado por João Lourenço para combater a corrupção após a mudança eleitoral de 2017. “Dados os recentes escândalos, espera-se que a corrupção seja o tema dominante nos debates eleitorais para as eleições [locais] de 2020”, aponta o documento.

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