Macon investe nove milhões de dólares em novos autocarros

A transportadora privada de passageiros Macon investiu cerca de nove milhões de dólares na aquisição de 72 novos autocarros para reforçar as rotas interprovinciais, internacionais (regionais) e fretamento, revelou ontem, em Luanda, o presidente do seu Conselho de Administração, Luís José Ndapuka Máquina

Os 72 novos autocarros juntarse-ão aos 648 outros da sua frota, sendo que substituirão alguns que já se encontram degradados, permitindo um aumento significativo no número de utentes da companhia. Luís Máquina, que falava à margem da inauguração dos novos autocarros, explicou que, com a entrada dessa nova frota, há entre 10 a 15 autocarros que sairão de circulação, porque os seus respectivos estados técnicos já não oferecem condições. Tais meios foram adquiridos em duas fabricantes chinesas, designadamente 50 unidades da Yutong e 22 unidades na Yaxing, ambas possuem 49 lugares. Dessas, 62 ficam a operar em Angola e 10 na República Democrática do Congo.

Os autocarros oferecem aos passageiros a possibilidade de carregar os seus aparelhos electrónicos com cabo USB, sistema CCTV, telas de entretenimento a bordo, cinto de segurança de três pontos e ar-condicionado. “Todo este esforço da Macon tem como propósito prestar um serviço de excelência, com segurança e conforto aos nossos clientes”, disse o responsável. Por outro lado, Luís Máquina lamentou a suspensão da rota para o Leste do país, devidos aos elevados custos operacionais e manifestou a esperança de que seja feito algum trabalho de melhoria do troço para que possam retornar em breve. Contou que recebem telefonemas de habitantes das três provinciais, nomeadamente, Lunda-Norte e Lunda-Sul e Moxico, solicitando que a Macon retorne.

“Nós operávamos mais com o intuito de apoiar. Era mais um papel social do que comercial. Há mais de dois anos que essa rota só trazia prejuízo, porém, ainda, assim, não suspendemos atempadamente”, salientou.

Prejuízos de 500 mil dólares

Disse que uma avaliação interna demonstra que tiveram prejuízos de mais de 500 mil dólares em estragos de autocarros nas localidades do Leste. “Encontramo-nos numa fase crítica, pois, continuamos a assistir à degradação do tecido viário, sobretudo nas regiões do Leste e Sul do país, e prevemos uma circulação e operacionalização difícil e constrangedora da frota”, frisou. Acrescentou de seguida que com isso, correm-se “riscos de destruição e de acidentes para autocarros, reduzindo o seu tempo de vida útil e, em consequência, atraso na recuperação do investimento feito”. Os preços dos bilhetes de passagem nessa operadora variam de três mil a 22 mil kwanzas, que transporta diariamente mais de cinco mil passageiros interprovincial, em todo país. Este serviço é assegurado por dois mil e 900 trabalhadores de forma directa e 600 indirecta.

Operadoras e Estado trabalham para mitigar as dificuldades
por sua vez, o chefe do Departamento do Instituto Nacional dos Transportes rodoviários do Ministério dos Transportes, Cambango Fernandes, descreveu o acto como uma mostra daquilo que é o desenvolvimento que a Macon vem trilhando nos últimos anos, tornando um exemplo para outras operadoras.

Classificou o acto como um chamariz aos investidores para que cheguem e apliquem os seus capitais neste nicho de negócio que é os transportes rodoviários. Ainda sobre a degradação das estradas, o responsável disse que o Estado tem trabalhado com as operadoras e as outras entidades afins, no sentido de mitigar as dificuldades que vêm enfrentando. “pensamos que não é uma situação à parte.

É global e almejamos que se resolva num curto espaço de tempo para mitigar também as dificuldades que não só as operadoras enfrentam, mas também aquelas pessoas que se locomovem de um lado para o outro”, disse. De acordo com Cambango Fernandes, existem estradas degradadas no país, mas não são todas, uma vez que temos vias boas para tráfego dos meios rolantes assim como dos passageiros. “Queremos lançar um repto à Macon, que esses meios adquiridos e lançados aqui não sirvam apenas para o transporte inter-provincial, mas que possam capitalizar também para os meios e reforços urbanos”.

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