“Galeria do Semba” ilustra história do estilo musical angolano

Para além dos retratos dos artistas, a galeria possui um acervo iconográfico e sonoro, constituído por fonogramas, capas de discos, cartas, instrumentos musicais de executantes referenciais e outros documentos

Retratos de figuras emblemáticas do estilo musical e dançante, preenchem a “Galeria do Semba”, inaugurada na Sexta-feira, 24, pela presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, Antónia Nelumba. Neste espaço, criado com o objectivo de ilustrar a história do Semba enquanto género musical e tornou-se popular por volta dos anos 40, encontram-se retratos de músicos como o Liceu Vieira Dias, Rui Mingas, Bonga, Lurdes Van-dúnem, Belita Palma, Teta Lando, Artur Nunes, Urbano Castro, David Zé, Carlos Burity, entre outros.

De modos a enriquecer o seu acervo, a galeria possui retratos do agrupamento “Os jovens do prenda”, constituído em 1965, igualmente “Os Kiezos”, assim como “Ngola Ritmos” formado em 1945. Para além destes, encontram-se lembranças de compositores, dançarinos e passistas do Semba, como de Carlos Lamartine, Filipe Zau, Joana Perna Mbuko, Mateus Pelé, Bela Brinca n’ Areia, Chabanu, Malé Malamba e Rosa Roque. Entre os contemporâneos deste estilo dançante destaca-se Augusto Chacaiá, Beto de Almeida, Jacinto Tchipa, Rosa Roque, Zeca Moreno, Lolito, Orlando Loy, Lulas da Paixão, Nanuto e outros.

Por sua vez, a directora artística e compositora musical, Rosa Roque, gestora do espaço, considerou que a galeria vai revitalizar o Semba e os seus criadores, assim como permitir aos jovens e crianças conhecerem os impulsionadores deste estilo musical, bem comoda música popular angolana. “A galeria está muito bem representada. Hão-de notar a ausência de alguns grupos, incluindo o meu, mas só porque o trabalho ainda não está incluído. Houve a necessidade de ser inaugurado, e algumas coisas estão ainda a ser construídas e organizadas.

Portanto, não é um produto acabado, mas sim um ponto de partida”, enfatizou. Nova geração do Semba O novo espaço espelha também imagens da nova geração do Semba, com Ângela Ferrão, Ary, Cristo, Daniel Nascimento, Eddy Tussa, Filho do Zua, Ivan Alekxei, Konde, Yuri da Cunha, Yola Semedo, Nelo de Carvalho, Patrícia Faria, Matias Damásio, Maya Cool e Kyaku Kyadaff. Por essa razão, Rosa Roque considerou o acto como incentivo aos jovens artistas, que irão mergulhar até às raízes angolanas, de modo a verem o seu trabalho representado no espaço, que espera a sua consagração até daqui a cinco anos.

O acervo A galeria possui um património iconográfico e sonoro, constituído ainda por fonogramas, capas de discos, cartas, instrumentos musicais de executantes referenciais e outros documentos, dispostos por ordem cronológica. O novo espaço, com um Centro de Documentação e Informação, pretende ser, também, um local de “encontro” entre artistas e o público, através da realização periódica de espectáculos, de pequena dimensão, mas capazes de difundir e valorizar o Semba. Numa primeira fase, está aberta de forma gratuita a estudantes, investigadores e pessoas interessadas em conhecer a história do Semba, mas aventa-se a possibilidade de no futuro ter de se pagar um valor simbólico para o acesso ao espaço.

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