HÁ 188 MILHÕES DESDESEMPREGADOS NO MUNDO, EM ANGOLA SÃO 4 MILHÕES

Além do número global de desempregados (188 milhões), 165 milhões de pessoas não têm trabalho remunerado sufi ciente e 120 milhões desistiram de procurar activamente por emprego ou não têm acesso ao mercado de trabalho. Em Angola, o último inquérito do INE dá conta de um total de 3.938.006 de desempregados

O novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicado recentemente, destaca que o número de pessoas desempregadas deve aumentar em cerca de 2,5 milhões no corrente 2020. O desemprego global permaneceu praticamente estável nos últimos nove anos, mas a desaceleração do crescimento económico global signifi ca que, embora a força de trabalho global aumente, não estão a ser criados novos empregosm quanto baste para absorver os que entram no mercado do trabalho. Quase meio bilião de pessoas no mundo trabalham menos horas remuneradas do que gostariam ou não têm sufi ciente acesso ao trabalho assalariado, segundo o novo relatório da OIT, no relatório anual World Employment and Social Outlook: Trends 2020 (WESO).

O relatório mostra que o descompasso entre a oferta e a demanda de trabalho se estende para além do desemprego, chegando a uma subtilização mais ampla da mão-de-obra. Além do número global de desempregados (188 milhões), 165 milhões de pessoas não têm trabalho remunerado sufi ciente e 120 milhões desistiram de procurar activamente por emprego ou não têm acesso ao mercado de trabalho. No total, mais de 470 milhões de pessoas em todo o mundo são afectadas.

Trabalhadores mais pobres A pobreza dos trabalhadores, moderada ou extrema, deve aumentar em 2020-2021 nos países em desenvolvimento, difi cultando a conquista do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1, sobre a erradicação da pobreza em todo o mundo até 2030. Actualmente, a pobreza dos trabalhadores (definida como ganhar menos de 3,20 dólares por dia em termos de paridade do poder de compra) afecta mais de 630 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, ou seja, uma em cada cinco pessoas da população activa do mundo.

Em particular, um número impressionante de 267 milhões de jovens (de 15 a 24 anos) não trabalham, estudam ou recebem treinamento, e muitos outros enfrentam condições de trabalho precárias. Em relação ao crescimento económico, o relatório constata que o ritmo e a forma de crescimento actuais difi cultam os esforços para reduzir a pobreza e melhorar as condições de trabalho nos países de baixa renda.

O relatório recomenda que é necessário alterar o tipo de crescimento para estimular actividades de maior valor agregado por meio de transformação estrutural, modernização tecnológica e diversifi cação da produção. “Só encontraremos o caminho para o desenvolvimento sustentável e inclusivo se combatermos esses tipos de desigualdades no mercado de trabalho e se facilitarmos o acesso ao trabalho decente”, disse o principal autor do relatório, Stefan Kühn. O relatório anual analisa questões-chave do mercado de trabalho, incluindo desemprego, sub-utilização da mão de obra, pobreza dos trabalhadores, desigualdade de renda, participação na renda do trabalho e factores que excluem as pessoas do trabalho decente.

Quase quatro milhões de cidadãos desempregados

O último inquérito feito pelo Instituto Nacional de Estatística, que durou três meses de recolha, aponta para um total de 3.938.006 de desempregados, o que corresponde a 29% da taxa de desemprego, até o II Trimestre de 2019. Segundo aquela instituição, a taxa de desemprego apresentada nesta FIR (Folha de Informação Rápida) é a taxa no sentido amplo, de acordo com as reco
mendações da OIT para países em vias de desenvolvimento. Por outro lado, para permitir a comparação internacional, os resultados apresentados cobrem a população de 15 ou mais anos de idade.

A taxa de desemprego na população com 15 ou mais anos de idade foi estimada em 29,0% (estimada em 3,9 milhões de pessoas) e a taxa de emprego em 61,8% (estimada em 9, 6 milhões de pessoas). Ou seja, contas feitas, existem perto de 4 milhões de angolanos sem emprego. Angola e África do Sul ocupam a terceira posição dos países da SADC com a maior taxa de desemprego, ambos com uma taxa de desemprego de 29%. A primeira posição é ocupada pela República Democrática do Congo com uma taxa de desemprego de 46,1%, a mais alta da região. Namíbia está em segundo lugar com 33,4% de desempregados, de acordo com dados do Gabinete de Estudos Económicos e Financeiros do Banco BAI, citando a Trading Economics.

*com ONU-Brasil

Número de empresas a abrir é inferior às que fecham

Diante dessa situação apresentada pela Organização Internacional do Trabalho, ouvimos Zacarias Jeremias, da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), uma organização que quase todos os dias tem recebido casos de cidadãos a serem demitidos e a queixarem-se de falta de emprego. Esta situação, segundo o sindicalista, deve-se ao facto de muitas empresas estarem a falir, dada a situação económica a nível mundial, os confl itos armados, que de certa forma
contribuem para o desinteresse em investir nestas zonas, para além de aumentar o número de pessoas a imigrarem para os outros países

. Em Angola, preocupa o sindicalista a situação das empresas que estão ligadas aos cidadãos que agora estão a ser chamados a responder na justiça, como a Unitel, Zap, por exemplo, uma vez que albergam um enorme número de funcionários. “É preciso que o Estado combata realmente a corrupção, mas deve-se ter em conta que não se pode fechar estas empresas, de forma a evitar que muitas famílias fi quem sem fonte de subsistência”, disse.

Apresentou ainda a situação da Sonangol Distribuidora, que preocupa a CGSILA, porque muitos trabalhadores estão à beira de perder o emprego, por via de uma redução de pessoal. A escassez de divisas também contribuiu para que muitas empresas fossem à falência, segundo o interlocutor, para além de muitas doutras não virem para Angola. “O que nós estamos a notar é que o número de empresas a abrir é bastante inferior ao número de empresas a fechar. Estamos a ter mais empresas a desempregar ou a desistirem de investir no nosso país”, reforçou, Zacarias Jeremias.

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