Viúvo de Juliana Cafrique apela às autoridades para cumprirem a promessa de emprego

dois dias depois da morte de Juliana Cafrique três instituições, o Governo de Luanda, a Polícia Nacional e o Partido UNITA, prometeram agraciar o esposo da malograda com um emprego. Volvido quase um ano, nenhuma das três efectivou o que prometeram

Banguila Manuel Augusto perdeu a esposa no dia 12 de Março, morta a tiro pelo agente da Polícia Gonçalo Canga e agora exige que as autoridades que prometeram agraciálo com um emprego cumpram a sua palavra. No fim da sessão de Sexta-feira, 24, que viu o Tribunal Provincial de Luanda a sentenciar Gonçalo Canga a 16 anos de prisão, o viúvo de Juliana Cafrique disse que as promessas feitas por altura do óbito não passaram disso. Banguila disse que, desde que concluiu o curso de electricidade, que teve duração de nove meses num dos centros de formação do Ministério da Administração Pública Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), o Governo Provincial de Luanda cortou o subsídio de 60 mil kz que lhe era dado mensalmente.

Por isso, “apelo a todos que fizeram a promessa de emprego a cumprirem o que prometeram”, disse, Banguila Augusto”. No dia 14 de Março, dois dias depois da morte da sua esposa, Banguila foi “consolado” com a promessa de três empregos feitas por duas instituições públicas, o Governo Provincial de Luanda (GPL) e a Polícia Nacional, assim como do partido UNITA. No período da tarde desse dia, uma delegação do GPL encabeçada pelo governador Sérgio Luther Rescova compareceu na casa do óbito para prestar solidariedade à família e prometeu agraciar o viúvo com um emprego.

Antes, no período da manhã, uma equipa da PN já esteve no local com o mesmo objectivo. Banguila Augusto disse que a Polícia Nacional não fez a promessa directamente a si, mas a falar com outros familiares que se encontravam na casa do óbito. Nessa mesma manhã, OPAÍS encontrou uma delegação do partido UNITA chefiada por Helga Eduardo dos Santos, por altura ministra do Ambiente do Governo Sombra da maior força política na Oposição. Helga dos Santos, em nome do seu partido, prometeu auxiliar na alimentação e educação dos três filhos menores de Juliana Cafrique, com 1, 3 e 8 anos, respectivamente, bem como com emprego para o marido da malograda.

Indemnização

No acórdão, além dos 16 anos de cadeia, o tribunal condenou Gonçalo Canga ao pagamento de uma indemnização de 5 milhões de Kwanzas à família da vítima e taxa de justiça de 50 mil. O tribunal concluiu que as provas foram suficientes para condenar o réu ao crime de homicídio voluntário, pois, em momento algum os quatro declarantes arrolados ao processo confirmaram que Gonçalo Canga, foi agredido pelas vendedeiras, justificação usada por Gonçalo Canga para disparar.

Segundo o juiz Nelson Cabangange, no fatídico dia, quando os agentes da PN chegaram na cha
mada rua da Padaria para repor a legalidade, impedindo a venda ambulante num espaço orien
tado pela administração local, houve tentativa de linchamento de agentes.

Filhas do réu também estão abandonados

Os familiares do réu disseram que as filhas de Gonçalo Canga também estão a passar por vicissitudes desde que o pai foi detido. Cristina Canga, a irmã, disse que os três filhos e a esposa de Gonçalo viviam em casa arrendada, mas encontram-se fora do abrigo por falta de pagamento “Os filhos da Juliana estão desamparados e os do meu irmão também. A renda de casa acabou e eles estão fora. Desde que ele foi preso, nós nunca mexemos no salário porque ele não tem multicaixa”, declarou, acrescentando
que a sua cunhada também é desempregada. Depois do juiz anunciar os 16 anos de prisão, a família do réu causou uma grande turbulência em plena sala de audiência em jeito de contestação com choros, gritos e levantaram-se para abandonar a sala.

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