Caso Luanda Leaks poderá fragilizar MPLA, alerta FOA

O coordenador da organização da sociedade civil apela aos órgãos de Justiça a prosseguirem com o seu trabalho de forma mais célere na responsabilização de todos aqueles que desviaram bens públicos para fins pessoais

A organização da sociedade civil Friend of Angola (FOA), entende que o caso Luanda Leaks, que revelou um pretenso escândalo de corrupção envolvendo a filha do ex-Presidente da República, Isabel dos Santos, poderá fragilizar o partido MPLA nos próximos tempos. Segundo o coordenador da referida organização, Rafael Morais, Isabel dos Santos não foi a única que “assaltou” os cofres públicos.

Neste sentido, explicou, não aceitará ser responsabilizada sozinha e poderá mesmo denúnciar outras pessoas, sendo que muitas delas continuam a ocupar cargos públicos e pertencem ao MPLA. Para Rafael Morais, caso venha, de facto, a denunciar outros infractores, a estrutura do partido no poder poderá estremecer e o resultado esperado será uma futura fragilização com respaldo negativo nas próximas eleições.

De acordo com o activista político, o exaustivo trabalho de investigação que o Consórcio Internacional de Jornalistas fez é um caso inédito e defende que a os órgãos de justiça nacional devem seguir o mesmo exemplo para evitar que o país venha
a registar mais casos de saque. “Se Isabel vier a abrir o jogo do que realmente aconteceu, não tenho dúvidas de que o MPLA saíra muito fragilizado. Toda a gente sabe que ela não foi a única. Com ela estiveram outras pessoas que hoje andam por aí, soltas”, apontou.

PGR deve empregar maior proatividade

Para Rafael Morais, com os casos de denúncias tornadas publicas, chegou o momento de a Procuradoria Geral da República ( PGR) trabalhar com maior proatividade e responsabilizar todos aqueles que desviaram bens públicos para fins pessoais. “Pelo andar das coisas, pensamos que a PGR ainda terá muito trabalho. Então, para dar cobro ao volume de denúncias, é preciso que haja maior dinâmica”, defendeu.

No entanto, em recente declarações à impresa, a vice-presidente do MPLA, Luisa Damião, disse que o seu partido não é constituído apenas de corruptos. Conforme explicou, apesar de algumas pessoas estarem envolvidas com este mal, ainda assim o MPLA é constituído maioritariamente por pessoas honestas e comprometidas com o desenvolvimento do país.

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