Primeiro Concerto de Música Popular Angolana movimenta Luanda no dia do seu aniversário

O espectáculo inseriu-se no projecto que visa criar obras e produzir eventos que sirvam de veículo de informação e ao, mesmo tempo, dar a conhecer o essencial sobre a História da Música Popular Urbana Angolana

Mais de 1390 pessoas assistiram Sábado, 25, no Clube Náutico da Ilha, ao I Concerto de Música Popular Urbana Angolana Instrumental, que culminou com os 444 anos da cidade de Luanda. O evento foi produzido pela Disco Vinil, enquadra-se no projecto denominado Memória Patrimonial do Cancioneiro Angolano e visa sistematizar informações sobre a Música Popular Urbana Angolana. Teve início às 17 horas 30 minutos, com a exibição de jovens bailarinas trajadas a bessanganas, com missangas à volta do pescoço, descalças, indumentária típica dos ilhéus.

Para aquecer a noite, o músico Pirika subiu ao palco e interpretou “Lamento” de Duia e Os Gingas, ao que se seguiu o tema “Canto Para Luanda”, do guitarrista Carlitos Vieira Dias, interpretado por Mário Gomes, que também executou “Muxima”, “Saudades de Luanda”, duas sonoridades do também guitarrista Marito e Os Kiezos. Mário Gomes prosseguiu ainda com os temas “Choro na Madrugada”, de Mário Fernandes, com participação dos Negoleiros do Ritmo. Nesta sequência, o público teve também a oportunidade ouvir “Solo do Maqui”, de Nito e Kissangela, interpretada por Pop show.

Já Zé Mweleputo tocou “Pôr-dosol”, de Zé do Pau, executado por Zé Keno e Os Jovens do Prenda. Mweleputo recordou-se da “Memória de Guy”, “por causa” de Botto Trindade e Os Kiezos. Por sua vez, Lanterna “iluminou” a noite com “Merengue 1” e “Merengue 2”, de Minguito e Os Merengues. Tal como a “Memória de Guy”, a “Memória de Lamartine” foi também lembrada, e desta vez por Brando. Ao longo do concerto foram ouvidos temas como “Domingo Por La Manhana”, de Toyota (África Show, Tony Galvão), “Sêngula do Rangel”, de Abel Morimba e Os Maringas, ”5 de Julho”, de Zé Keno e Os Merengues”, bem como “Luandei”, pelo próprio autor, Nanutu.

Outros instrumentais como “Benguela Libertada”, de Botto Trindade, ”Choro de S. Vicente”, de Zé Keno e Os Merengues”, “Passeio”, de Teddy Nsingi, “Rufo da Liberdade”, Zé Keno e Os Merengues, também foram ouvidos na noite. Reacções Na ocasião, o jornalista Ismael Mateus, que assistia ao concerto, fez uma avaliação positiva do mesmo, pelo facto de ter ouvido músicas que fazem parte da sua vida. “São belíssimas execuções, além do repertório ter sido bem pesquisado.” Por outro lado, o jornalista lamentou a falta de divulgação e projectos do género e o facto de a maior parte dos angolanos não se orgulhar da música angolana.

“Essa coisa de andarmos sempre a priorizar a música estrangeira não é bom”. Enquanto isso, o fundador do Conjunto Kiezos, conhecido por Kituxi dos Kiezos, disse que o I Concerto de Música Popular Urbana Angolana Instrumental tem uma óptica muito boa. Ao enaltecer esta iniciativa, apelou para a realização de mais shows do género. “Espero ver mais eventos do género a acontecerem. É uma maravilha.

O que nos faltava aqui eram mais solistas e também a nova geração que está aqui a rodar, deveria apresentar o seu sistema instrumental”, acrescentou. O concerto superou expectativas Ernesto Gouveia, um dos membros da organização do evento, revelou a OPAÍS, que os resultados obtidos superaram as expectativas. “Tivemos um público distinto, que não é muito comum em determinados espectáculos e tendo em conta o conceito que se criou e o que foi interpretado”.

O projecto Vale lembrar que, de acordo com o idealizador do projecto, Nok Nogueira, o I Concerto de Música Popular UrbanaInstrumental ocupar-se-á essencialmente da sistematização de informações sobre os distintos factos que ajudaram a dar forma àquilo que hoje conhece-se como um dos mais apreciados patrimónios artísticos angolanos: o Semba. O projecto consiste em criar obras e produzir eventos que que sirvam de veículo de informação e, ao mesmo, tempo dar a conhecer o essencial sobre a História da Música Popular Urbana Angolana, sobre os primeiros 50 anos de formulação estética do semba.

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