Sector privado deve trabalhar em conjunto para dinamizar o turismo

O docente universitário Bumba Manuel de Castro defende que para além da melhoria das infra-estruturas básicas, nomeadamente as estradas, energia eléctrica e outros, há a necessidade de se privilegiar o sector privado na dinamização da actividade operacional

Segundo o responsável, numa entrevista concedida a OPAÍS, os diferentes sub-sectores do turismo, nomeadamente as agências de viagens, empreendimentos hoteleiros e as companhias de transporte, devem trabalhar em conjunto para criar um interface que permita a realização sistemática de viagens nas várias localidades do país.

Por outra, chamou a atenção para a necessidade de se pensar em soluções mais económicas que criem massa crítica, de modo a não onerar as viagens, nem prejudicar os operadores do sector. “Acima de tudo, os angolanos precisam de aprender melhor e a trabalhar de forma colaborativa”, referiu, acrescentando: “a perspectivar rendimentos a longo prazo e a oferecer produtos e serviços para mercados com diferentes poderes aquisitivos” precisou Bumba Manuel Lamentou também o facto de muitos ainda pensarem que o turismo só se faz com os hotéis ou aviões, e esquecem-se muitas vezes de outras soluções mais económicas como, por exemplo, parque de campismo, hospedarias, até mesmo as pensões que, de acordo com Bumba Manuel, são completamente marginalizadas, quando deveriam funcionar como alternativas óptimas, aos hotéis dos destinos urbanos.

Reconheceu que existem constrangimentos de várias ordens que prejudicam o desenvolvimento do sector como as infra- estruturas básicas, que passam desde o fornecimento de energia eléctrica à água e acessibilidades. Por outro lado, apontou também a existência de défices grandes em variados serviços conexos e complementares à actividade turística, entre eles a falta de know how, que torna a sua emergência cada vez mais lenta do que o desejável.

“Um sector com perspectivas favoráveis de crescimento”

“O turismo no país é um sector com uma margem de crescimento e desenvolvimento enorme, com um índice de saturação turística bastante residual, o que permite projectar a actividade damelhor forma, aproveitando erros alheios e valências próprias”, disse o também autor do livro “Património Cultural e a Reabilitação Urbana.

Um Caminho para o Desenvolvimento do Turismo em Cidades Históricas”, que será apresentada amanhã, dia 28 de Janeiro, em Lisboa Na sua obra científica, ressalta que o património cultural, tendo em conta as suas pesquisas, é uma solução a seguir para o desenvolvimento de um turismo que se quer sustentável e inclusivo.

Por outro lado, o Plano Director do Turismo, ao considerar o turismo cultural como um produto estratégico para Angola, está explicitamente a indicar um caminho alternativo ao turismo convencional (de massas), que normalmente é pouco sustentável e reprodutor de desigualdades sociais, além de outras notas negativas que provocam nos potenciais destinos.

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