Angola destacada em festivais internacionais de Cinema com “Ar Condicionado”

O filme em questão, está nomeado na categoria Bright Future (futuro brilhante), que dá ênfase a talentos emergentes que trabalham com assunto original num estilo individual

Depois de exibido no Festival Internacional de Cinema de Roterdão, o filme angolano “Ar Condicionado”, da produtora Geração 80, representará proximamente o país no Redsea Film Festival na Arábia Saudita, Festival Internacional do Filme de Fribourg, na Suíça, e na Internacional Filme Festival de Innsbruck, na Áustria. O filme que em Roterdão foi nomeado para dois prémios: Audience Award e Fipresci Award, na categoria Bright Future (futuro brilhante), uma categoria de talentos emergentes que trabalham com o assunto original e num estilo individual, tem a estreia nacional marcada para o mês de Abril, pese embora a Imprensa já tenha assistido ao mesmo, durante um encontro, realizado recentemente, no Cinemax do Belas Shopping.

Ar Condicionado, que é a primeira longa-metragem de ficção da produtora e do jovem realizador Fradique, narra a história de Matacedo e Zezinha, um guarda e uma empregada doméstica que trabalham no mesmo prédio, no centro da cidade de Luanda. Quando os ares condicionados começam a cair misteriosamente dos apartamentos da cidade, os dois têm a missão de recuperar o aparelho do chefe. Essa missão leva-os à loja de materiais eléctricos do kota Mino, que está a montar, em segredo, uma complexa máquina de recuperar memórias. O filme teve a sua primeira exibição em Dezembro de 2019, no terraço do mesmo prédio onde foi filmado, um edifício histórico no coração da cidade de Luanda.

Filme reflexivo “Este filme é dos prédios e todos os ‘transparentes’ que aí trabalham e constroem as suas vidas todos os dias”. Matacedo é um segurança de um prédio que se torna um reflexo do nosso estado de inércia e ao mesmo tempo de esperanças nas distopias verticais em que vivemos”, disse Fradique o realizador do filme.

Mais do que transmitir uma mensagem, o realizador queria partilhar a experiência de como é o dia-adia de pessoas como Matacedo e Zezinha e o ponto de vista de um personagem que muitas vezes a maior parte dos filmes e das histórias e não fala. O realizador conta que durante o casting, poucos actores queriam aparecer para fazer o papel do segurança ou da empregada doméstica. “As pessoas hoje em dia têm muita vontade de ser o super-herói ou o chefe e para a produção o mais importante é conseguirmos contar histórias em que os angolanos se revejam e não ser uma coisa completamente irreal e distante”, afirmou.

No entender de Fradique, já chegou a altura e está mais do que na hora de começar-se a repensar a sociedade, como por exemplo o modo de convivência. Quanto à exibição do seu filme em festivais internacionais de Cinema, sobretudo o de Roterdão, o realizador realçou que é para si um orgulho imenso e bastante importante. “Faço filmes para partilhar, não só no meu país, mas também fora e o Festival de Roterdão não é um festival qualquer. É uma festa que decorre durante 10 dias, com cerca de 500 filmes a serem exibidos. É muita energia de cinema e é muita arte, o que inspira-me”, realçou.

Enaltecimento do filme Indagado por OPAÍS, o apresentador do programa Cine Nosso, da TV Zimbo, Esmeraldo Baptista considerou o filme muito interessante, tendo acrescentado que o mesmo retrata o real e o irreal. “Ele mostra o ponto de vista dos personagens Matacedo e da Zezinha, o que mete medo, dá alegria onde estão os prazeres das suas vidas, contrariando a ideia de que quem tenha menos possibilidades financeiras não seja feliz”. Esmeraldo Baptista referiu que o filme tem uma fotografia muito forte, isto é desde a sonoplastia, a composição fantástica de Aline Frazão e outros pormenores técnicos.

Opinião semelhante é do realizador Mawete Paciência, do filme “Rastos de Sangue”, que considerou o filme interessante pelo facto de ter uma linguagem cinematográfica diferente do que se está acostumado a ver. “Creio que é um projecto que poderá mudar um pouco aquilo que é o conceito da produção nacional de filmes e acredito que tem tudo para ser um filme que poderá marcar essa geração cinematográfica”, rematou.

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