Carta do leitor: Mias um ano lectivo de dificuldades

Caro director, O jornal OPAÍS continua a ser o meu jornal favorito, recebo todos os dias e leio com atenção. Sinto muita pena que nem todos os angolanos consigam receber e ler, no nosso país a imprensa ainda não chega a todos, por isso mesmo ainda não se pode falar de democracia para todos, mas acho que o Presidente João Lourenço Angola está a dar bons passos neste sentido. Outros passos que precisamos de dar já vamos sentir a falta deles daqui a uns dias, quando começarem as aulas. Mais uma vez não teremos transportes públicos nas cidades, vai começar outra vez o sofrimento dos alunos e dos seus pais.

Também os bandidos vão voltar ao seu “trabalho” de assaltar os alunos. Não sei como é que se vai resolver isto, mas assim não podemos continuar, o que é que se passa, afi nal, que nem transportes públicos merecemos como angolanos?, quando viajamos, mesmo para a Namíbia, país vizinho, vemos como é que as coisas funcionam, só aqui é que não há.

Mas este ano, com a fome, não sei quantos alunos vão aguentar a escola até ao fi m, porque também não estou a ver nada para a merenda escolar. Mesmo nos colégios os preços todos subiram, assim como nas universidades, mas assim é como, se os salários não subiram?

Como é que vamos formar quadros, se estudar é uma prova de resistência das famílias? Estou a ver que ainda vamos fi car mais umas décadas a pagar milhões aos expatriados, depois vamos nos queixar que eles sabem todos os nossos segredos e nos manipulam. Os chefes continuam a mandar os seus fi lhos para fora, e nós, que não somos chefes e nem temos milhões, este país não é nosso?

Não merecemos melhor do que aquilo que nos dão? Tudo isto se resolve com boa escola e boa imprensa, mas, como disse, a imprensa também é só para alguns, a maioria só sabe aquilo que é divulgado pelos órgãos do Estado, alguns nem isso.

Francisco Vita

Uíge

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