Político vaticina que o Estado vá vender a sua participação na Unitel SA

O político e antigo quadro sénior da petrolífera angolana, Filomeno Vieira Lopes, acredita que o Estado, por via da Sonangol, vá vender a sua participação na Unitel e considera “anormal” a compra de mais 25% de participação na mesma companhia, uma vez que o discurso do Presidente da república aponta para a necessidade de a petrolífera nacional se concentrar no seu “core business”

Constantino Eduardo, em Benguela

O Governo Angolano, por via da Sonangol, consolidou a sua participação na empresa Telecomunicações Unitel, ao comprar mais de 25% do capital da PT Ventures SGPS, por USD 939 milhões, ficando, deste modo, com 50% das acções, acto que o político e antigo quadro sénior da Sonangol considera estranho, a julgar pelo facto de o Estado estar a privatizar empresas e a posição do Presidente João Lourenço, neste particular, apontar para a necessidade de a Sonangol desfazer-se de algumas participações em empresas e focar-se no seu core business.

Em entrevista conjunta, via telefónica, à Voz da América e a OPAÍS, Filomeno salientou que o Plano Estratégico da Sonangol anuncia que a maior empresa pública desfazer-se-ia de grande parte de participações no sector bancário, para quem haverá um conjunto de indícios de recuperação de activos nesta compra milionária da petrolífera, no âmbito da recuperação de activos. Com a compra de mais de 25% das acções da Unitel SA pela petrolífera estatal, o dirigente político diz que fica, entretanto, no ar a possibilidade de as acções virem a ser privatizadas e, por essa razão, considera esta acção um passo intermédio para a concretização de tal desiderato.

“O mais fácil agora é no sentido de uma certa estratégia de ficar com grande parte de capitais”, disse. Até aonde vai o seu conhecimento sobre a petrolífera nacional, Filomeno Vieira Lopes, antigo quadro da Sonangol, realça que os dividendos que couberam à empresa pública sempre foram entregues pela Unitel, pelo que este é um dos poucos negócios com lucros para Sonangol. “Vamos supor, que a Unitel tenha um crédito para com a Sonangol.

O Conselho de Administração pode, efectivamente, converter os créditos em capital, é uma técnica que se utiliza de correcção financeira. Não sei se é isso o que se passa. Acho que é para a Sonangol ganhar legitimidade, em termos de administração sobre a Unitel, por aí passa a ter capacidade de decisão, ou o Estado tem uma estratégia para a Unitel”, vaticina.

Em comunicado tornado público, a Sonangol confirma a compra integral, por USD 939 milhões, do capital da PT Ventures SGPS, uma empresa detida pela brasileira Oi, que titulava uma participação de 25 por cento na Unitel, pelo que fica com metade do capital da companhia angolana de telecomunicações.

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