Enfermeiros acusam Hospital Central do Lubango de reduzir descanso pós-laboral

Mais de duas dezenas de enfermeiros que trabalham na zona de internamento do Hospital Central do Lubango manifestaram-se ontem, defronte da maior unidade sanitária da região Sul, queixando-se de violações aos seus direitos por parte da direcção daquela unidade hospitalar

POR: João Katombela, na Huíla

Entre as principais preocupações apresentada ontem, no Lubango, pelos enfermeiros que trabalham maioritariamente no sector de internamento, constam a falta de alimentação durante os turnos, a diminuição do período de folga, bem como a forma “arrogante”, dizem, como a nova directora do Hospital Central do Lubango os trata. Segundo os organizadores da reivindicação, a nova direcção não se tem mostrado disponível para o diálogo, nem com vontade de solucionar os mais diversos problemas que afligem os enfermeiros. Os enfermeiros, que em uníssono clamam pela intervenção da ministra da Saúde, afirmam ainda que existe uma sobrecarga durante o trabalho, facto que pode afectar o atendimento aos doentes. Trabalham quatro dias seguidos e folgam dois.

Rossana Valente, enfermeira há nove anos, conta que por causa da retirada de um dia, dos três de folga, muitas vezes os pacientes são mal atendidos, fruto da “falta de recuperação do dia anterior”. “Foi-nos tirado um dia de descanso complementar. Nós, como enfermeiros, sempre tivemos três dias de folga, agora temos dois e é cansativo para nós, que trabalhamos em regime de turno. Por nos terem retirado um dia, temos vindo trabalhar cansadas”, disse. Diante do que chamam de violação dos seus direitos, a enfermeira Anabela Cassanga disse que tomou conhecimento da inversão do período de folga no passado dia 31 de Dezembro. Anabela Cassanga disse ainda que a direcção do Hospital Central do Lubango procedeu igualmente à adição de mais uma hora ao horário laboral, contrariando as 36 horas por semana regulamentadas por lei.

“A lei diz que o enfermeiro deve trabalhar 36 horas por semana, mas a directora apegou-se a uma das alíneas da mesma lei, disse que está escrito que o gestor pode aumentar as horas de trabalho, mas a mesma lei diz ainda que tal aumento só será possível mediante a um despacho do Ministério da Saúde, da Administração Pública e Segurança Social e o Ministério da Finanças. Já trabalhamos nestas condições, quem vai pagar estas horas?” questionou. Por outro lado, a enfermeira disse que o grupo que representa já tentou, por várias vezes, conversar com os gestores, mas a direcção do Hospital Central do Lubango se recusa a falar. “Nós já não queremos mais líderes que não dialogam. Já não queremos mas trabalhar com líderes que só têm discursos intimidatórios”, disse. Um outro enfermeiro informou que com a entrada da nova direcção do Hospital Central do Lubango também lhes foi retirado o direito à alimentação durante os turnos. “Aqui não se come, só se trabalha, mesmo estando a trabalhar em regime de turno por mais de um dia” disse.

Directora diz que está a cumprir rigorosamente a Lei

A directora do Hospital Central do Lubango, Maria Antunes, disse que a lei não fala de duas horas de folga, mas de uma hora, acrescida de um dia de descanso pós-trabalho. “Nós estamos a cumprir rigorosamente a lei, se antes isso não era cumprido, a culpa não é deste hospital”, explicou. Em relação às reclamações sobre a falta de alimentação durante o período de trabalho dos enfermeiros nas áreas de internamento, Maria Antunes esclareceu que só têm direito à alimentação os enfermeiros que trabalham nos bancos de urgência e os motoristas. “Nós damos a comida a quem faz turno de urgência, para aqueles que trabalham em áreas com necessidade de serviços de maior intensidade. Não podemos fazer extensão desta oferta para outras secções que não têm muita pressão”, esclareceu a directora, tendo acrescentado que o orçamento que recebe para a comida se destina mais aos doentes.

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