“Galeria do Semba” preserva identidade cultural e credibiliza artistas

Os músicos Amadeu Amorim, Carlos Lamartine e Dom Caetano partilham a mesma opinião, quanto à criação do espaço cujo objecto é o de ilustrar a história do Semba enquanto género musical e preservar a sua identidade

Os músicos fazedores do Semba, consideram que a “Galeria do Semba” inaugurada, recentemente, no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda, como identitário do estilo musical nacional, cuja base servirá de pesquisas e de reconhecimento dos próprios artistas. Tal constatação foi feita durante a inauguração do espaço pela presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, Antónia Nelumba, que possui retratos de figuras emblemáticas do estilo musical e dançante e um património iconográfico e sonoro.

O músico e nacionalista Amadeu Amorim, que procedeu o descerramento da placa, disse que o lugar dará continuidade à elevação do estilo musical no país, assim como incentivar os novos talentos a preparem-se mais, para melhor interpretá-lo. Por essa razão, almeja que num futuro próximo, o espaço venha a possuir uma escola de música, para assim capacitar os artistas, amantes deste estilo musical. Não obstante, observou ainda ser necessário o reconhecimento dos compositores desta modalidade. “Agora que se abriu o espaço do Semba, os artistas que vão continuar, precisam cuidar desta casa e dar o seu devido valor. São coisas realizadas no decorrer do tempo, mas é preciso que alguém se imponha, para que as coisas possam acontecer”, realçou.

Património Mundial

No que tange à candidatura do Semba como Património Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), conforme foi anunciado em 2018, Amorim considerou como uma decisão assertiva, pelo facto de também ser consumido por estrangeiros, em vários países. “É preciso que se registe o nosso Semba, conforme acontece noutros países, com os seus estilos musicais. Os cabo-verdianos já tiveram essa iniciativa e com êxito. Por isso, considero que é preciso pesquisar e estudar, para que a nossa canção seja também universal. Na Itália, já ouvi tocarem este estilo, mas com outros ritmos. Fizeram uma adaptação, mas tive de advertir-lhes que se tratava de um estilo musical angolano”, contou.

Identidade cultural

Por sua vez, o músico e compositor, Carlos Lamartine, considerou o espaço como promotor dos valores culturais nacionais, no que diz respeito ao Semba. O músico referiu que além de o espaço preservar a identidade do Semba, irá igualmente valorizar os seus fazedores, na arte de bem cantar e dançar, para que de facto seja demonstrado como elemento de identidade cultural. “O Semba é um factor de identidade nacional e cultural. É o património cultural da nação angolana. Independentemente do mosaico cultural existente no país, ele é um elemento de ligação e interacção entre as comunidades que constituem o nosso povo”, enfatizou.

Por seu turno, Dom Caetano referiu que o Semba devia antes ser considerado património imaterial do povo angolano, por isso considerou o espaço como sendo uma biblioteca para os angolanos e visitantes, na transmissão daquilo que é a música angolana, o Semba, em particular. “Hoje ele é visto como a bandeira daquilo que é a música angolana. Não importa muito a região em que tenha nascido, mas com certeza que foi o ritmo que mais se evidenciou ao longo dos últimos 60 anos”, referiu. Angola trabalha este ano como um dos eixos do pelouro do Ministério da Cultura, para que o Semba seja classificado à Património Imaterial Cultural Nacional, e posteriormente submeter esta candidatura à UNESCO.

error: Content is protected !!