Divulgação de “altos roubos” compromete a integridade moral das novas gerações

Preocupado com a forma fácil como as notícias de furtos chegam às crianças, o académico carlinho Zassala chama a atenção sobre a quebra de confiança e de valores que essa classe pode ter no futuro

O psicólogo Carlinho Zassala está preocupado com a preservação da integridade moral e psicológica das novas gerações, em face da divulgação massiva de casos de desvios de fundos, e outros do género que, ultimamente, preenchem os espaços noticiosos de muitas agências de notícias.

“Hoje, crianças e os adolescentes têm acesso às mesmas informações sobre os “altos roubos” que se passam no país e começam a ficar com a percepção de que são os mais velhos que roubaram o dinheiro do país” disse o psicólogo, tendo acrescentado que, desta forma, os petizes destroem a sua expectativa de modelos. Enveredando por essa via, o também docente universitário recordou que as instituições primárias e secundárias que deviam contribuir para a formação de personalidades equilibradas para a sociedade enfraqueceram ou desestruturaram-se. Carlinho Zassala, que disse estar a registar o desmoronamento paulatino da família, igreja e da escola, é de opinião que o Estado, por via das suas políticas, pode mudar esse quadro, já que as medidas actuais concorreram para a referida destruição. Quando nós temos organizações dessas que procuram destruir as famílias que constituem o núcleo social natural de uma sociedade, isso é muito perigoso, porque faz que os jovens não tenham uma orientação social de como se deve comportar. Disse ao OPAÍS o seu interlocutor, ser por isso que o Estado ou o Governo têm de tomar medidas urgentes, profiláticas ou preventivas, para que não corramos o risco de criar uma sociedade insuportável, que não é aconselhável para viver. Segundo ele, uma vez que as atitudes constituem a mola impulsionadora do comportamento social e as mesmas são formadas através da cognição, a sociedade deve estar preocupada com a coincidência que se está a ter. “É por isso que nós não devemos limitar-nos a informar por informar, mas temos de ter em conta ao destinatário que essas informações podem alcançar e ao impacto que as mesmas causam aos indivíduos consoante a idade e o nível de compreensão.
Recuperar dignidade de valores Atendo-se no facto de os jovens terem a necessidade de modelos com boa reputação social, Carlinho Zassala aconselha os mais velhos a servirem de bons exemplos, de modo a recuperarem a autoridade moral que lhes é devida. “Como normalmente essa franja da sociedade se socializa a partir dos processos de imitação e identificação, então, se nós estamos a dar bons exemplos às crianças, estamos a formar uma geração anti-social, criminosa, delinquente e com outros males sociais”, observou. Aconselhou, igualmente, ao resgate da dignidade de valores, pois, de acordo com ele, quando os adultos se contentam com aqueles que estão a praticar actos anti-sociais, depois se terá a necessidade de se dar lições de moralização, a fim de que esses males sejam evitados. “Para tal, precisamos mesmos da intervenção de cientistas sociais de base, designadamente sociólogos, psicólogos, antropólogos e outros”, citou, para dar razão aos seus argumentos, tendo concluído que, na hierarquia da sociedade, primeiro se tem a família, que é uma instituição natural, sendo que, só depois vêm as outras instituições.

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