Pitta Grós: combate à corrupção está a subir de nível

O procurador-geral da República, Hélder Pitta Grós, afirmou, ontem, no lubango, capital da província da Huíla, que o combate à corrupção que está a ser levado a cabo pelo Governo, “é mesmo sério e é para valer”

João Katombela, na Huíla

Falando aos jornalistas, informou que o programa de combate à corrupção tem vindo a subir de nível, tendo em conta o volume de processos que o mesmo já criou em todo o país, com a detenção de alguns gestores e a constituição de outros como arguidos. Hélder Pitta Grós, que trabalhou ontem nesta cidade, disse que, apesar de haver resultados animadores, muitos gestores públicos ainda continuam a praticar actos que são puníveis pelo programa de combate à corrupção, que, segundo ele, “ já fez muitos gestores arguidos e outros detidos”.

“Houve problemas com alguns administradores municipais, a nível das províncias, bem como de ministros, nos ministérios”, disse o magistrado do Ministério Público (MP), que fez também referência aos mediaticos casos de dois filhos do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos. “Temos dois casos neste momento, sendo um que é do senhor Zenu, filho do ex-Presidente, que está a ser julgado, temos também o caso da filha, Isabel dos Santos, que está a ser amplamente divulgado, por isso, é bom que se saiba que este combate é mesmo a sério e é para valer”, reiterou Pitta Grós.

Casos filhos do ex-Presidente

Afirmou que os casos que envolvem familiares do ex-Presidente da República “não devem ser entendidos como uma perseguição política”, sustentando que os crimes de que são acusados não foram desencadeado por “um partido político, nem pelo Executivo, mas por um órgão judicial”, como é o caso “Luanda Leaks”, justificou. “É uma iniciativa que partiu de fora para dentro, é uma plataforma de jornalistas que não só tem esse caso aqui de Angola, mas também de outras situações de fora, em que eles apareceram também a denunciar”, explicou o procurador. Afirmou que a instituição que dirige ficou surpreendida quando foi contactada pelo consórcio deste grupo de jornalistas investigadores sobre o caso “Luanda Leaks”.

“Nós próprios, inicialmente, quando fomos contactados por ele (consórcio) ficamos com um pé atrás, porque não estávamos a
compreender como é que aparecia alguém de fora a fazer um trabalho daquela natureza”, questionou-se. Segundo ainda Pitta Grós, a surpresa foi ainda maior pelo facto de tal consórcio não ter pedido nada em troca. “Eu próprio fiquei com um pé atrás, desconfiei que alguma coisa estava a ser escondida”, explicou.

Cooperação internacional

No caso específico da empresária Isabel dos Santos, o procurador disse esperar por uma boa cooperação das autoridades internacionais para se recuperar todo o património financeiro que o Estado perdeu, salientando que a cooperação da Procuradoria Geral da República (PGR) com as autoridades internacionais é “necessária neste processo, para atender as necessidades deste mesmo Estado”.

Combate à corrupção

Consciente da complexidade desta matéria, o procurador-geral da República reconheceu que o combate à corrupção não tem um horizonte temporal definido. “Não vai ser em dois ou em três anos que vamos conseguir levar isso avante, mas se todos mudarmos as nossas práticas no dia-adia, poderemos contribuir para que este objectivo se alcance, desde que as práticas danosas não voltem a acontecer”, disse.

Ostentação de bens

Por outro lado, Pitta Grós disse que os gestores públicos não devem preocupar-se com a ostentação de bens de algum empresário, mas devem saber se a actividade que está a desenvolver está a ser feita dentro dos parâmetros legais, consubstanciada no pagamento de impostos e nas licenças actualizadas. “Nós, como gestores públicos, não devemos ficar preocupados se aparecer algum empresário com um Ranger Rover ou Hummer porque ele trabalha para isso”, concluiu o procurador-geral da República.

error: Content is protected !!