Apologia ao crime

São tão “bonzinhos” os hakers que a partir de Portugal sabotaram as eleições presidenciais da Guiné Bissau, como reportou a revista Sábado nesta Quarta-feira no seu site, que praticamente nenhum outro órgão de comunicação social lhe seguiu os passos. Afinal, foi só a Guiné, país também ligado historicamente a Portugal mas de onde não sai dinheiro. Um hacker que fazia extorsão invadiu a correspondência privada de Isabel dos Santos e logo vozes em Angola e em Portugal o quiseram como herói medalhavel, não importando que tenha cometido um crime, mas três hackers subvertem, também por dinheiro, a vontade soberana de um povo independente, a partir de Lisboa, e o silêncio é quase absoluto. E se estes um dia forem presos e condenados o silêncio manter-se-á, não há património para tomar de assalto. Talvez seja mais importante montar uma autêntica campanha de linchamento público de uma pessoa do que defender um povo inteiro, um país soberano, ou, se calhar, até se faça valer os dois crimes vergonhosos, até porque autoridades de vários países, incluindo as angolanas, já se apressaram a felicitar o suposto vencedor das eleições guineenses mesmo antes da disputa administrativa ter sido concluída. Se calhar, se isto interessar, se dirá que os hackers do Barreiro não tiveram influência no resultado, ou que até são mesmo heróis, por terem demonstrado as fragilidades do sistema guineense. Na ânsia de abater alguém, muito mais do que fazer justiça, como todos queremos, muita gente acabou, infelizmente, em Portugal e em Angola, por mostrar o seu verdadeiro “eu”, e não é nada bonito, há heróis que começam a mostrar o que são debaixo da máscara, execráveis. Curiosamente, em termos de comunicação, as autoridades portuguesas, no caso Luanda Leaks, assumiram uma postura de Estado exemplar, o que não se pode dizer de todas as angolanas.

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