Mulheres angolanas dizem-se preparadas para as autarquias

Encerrou ontem, em Luanda, o primeiro ciclo de formação intensiva dirigida a mulheres angolanas que teve como objectivo promover a participação e representação efectiva das mesmas no processo autárquico, para candidatas e mobilizadoras locais

O primeiro dos três módulos de formação a serem administrados às mulheres angolanas encerrou, ontem, com a participação de cinquenta mulheres seleccionadas num concurso público e por indicação directa de partidos políticos com assento parlamentar. A referida formação sobre liderança pública teve a duração de duas semanas e decorreu sob o lema “Mulheres e Lideranças Transformadoras para as Autarquias Locais” e contou com a participação de cinquenta mulheres provenientes de oito províncias do país, nomeadamente Benguela Cuando Cubango, Cuanza Sul, Huila, Huambo, Moxico, Luanda e Zaire.

A presidente do Grupo de Mulheres Parlamentares, Maria do Carmo Nascimento, disse, na cerimónia de encerramento, que esta formação sobre liderança pública, além de ser oportuna, corporiza um dos objectivos do Grupo de Mulheres Parlamentares, pelo facto de promover a participação e a representação da mulher angolana nos órgãos de decisão do Estado, bem como o seu empoderamento. A parlamentar salientou que, no âmbito das reformas estruturantes que o Estado Angolano tem implementado no domínio da gestão e da governação económica, incorporou também nas suas políticas públicas, sobretudo de gestão de quadros, as questões da representatividade do género nos órgãos de decisão. Reconheceu que a representação e a participação da mulher nos órgãos de decisão, quer no domínio empresarial, quer nas instituições públicas tem aumentado de modo significativo.

“Temos a firme certeza de que as cinquenta mulheres que beneficiaram da formação estarão mais bem preparadas para exercerem a sua cidadania no município, tal como a participarem de forma activa na governação dos órgãos do poder local, e não temos dúvida de que mais cedo ou mais tarde uma dessas cinquenta mulheres poderá um dia assumir um lugar na administração do poder local autárquico”, disse. Considerou o poder local autárquico um importante instrumento de Governação económica que favorece a transparência das contas públicas e cria um ambiente democrático propício ao desenvolvimento local e um determinante do desenvolvimento económico e social do país em geral e em particular dos municípios.

O representante residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Henrik Fredborg Larsen, referiu, por seu turno, que em Angola, embora a lei dos partidos políticos preveja um mínimo de trinta por cento de representação de mulheres nas listas dos partidos políticos, verifica-se ainda uma baixa representação das mulheres nos cargos de tomada de decisão, ilustrada por 19,5 por cento nos governos provinciais. “A década de 2020 será o teste final para todos os esforços em comum para mudar e salvar o mundo. Por isso, vamo-nos focar em três áreas principais, nomeadamente o fim da pobreza, igualdade de género e ambição climática. Tudo para que possamos nos orgulhar do mundo que deixaremos para as futuras gerações”, salientou.

Formandas enaltecem formação

Maria Teresa, uma das formandas, proveniente da província de Benguela, disse que o seu grupo trabalhou sob o tema “Mobilização das Mulheres para o Voto em Zonas Rurais”, alegando estar mais preparada para mobilizar as mulheres nestas zonas para que possam exercer o voto de forma consciente. Avançou que no meio rural as mulheres estão desprovidas de conhecimento e informação, o que pode levá-las a não participar no processo autárquico. “Queremos que as mulheres rurais exerçam uma cidadania activa para que não sejam excluídas ou se auto-excluam durante o processo autárquico, e ao votarem, que tenham consciência de que estão a votar num candidato que possa, de facto, provocar mudanças no seu município em prol da melhoria da condição de suas vidas”, acrescentou.

Para Domingas Cocubika a formação serviu para a transformação de mentes e de perspectivas de vida, dizendo que antes da participação tinham uma noção vaga daquilo que é a política. Disse que durante a formação aprenderam a elaborar projecto sociais, tendo em conta as políticas existentes, aprenderam a orientar a comunicação e a trabalhar com pessoas tendo em contas as diferentes identidades culturais que elas apresentam. “Essa formação veio consolidar o nosso entendimento sobre as questões políticas. Eu acho que nós agora estamos preparadas para mobilizar, participar e sermos autarcas, porque as autarquias nada mais são senão o poder voltado à comunidade”, concluiu.

 

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