Abertura morna

Em 2018, João Lourenço foi abrir o ano lectivo no Namibe. Foi impactante, transmitiu a ideia de que para o Estado a educação era prioridade absoluta, que os professores passariam a ter tratamento melhor, que o espaço escola voltaria a ser acolhedor e de formação de homens bons, de conserto permanente da sociedade, de busca de evolução. Passou a ideia de que os estudantes do país seriam iguais, de que as famílias poderiam começar a contar com o ensino público, não apenas para a contenção dos gastos, mas como desenhador do futuro do país.

Ou, melhor, da capacidade de viver o futuro, viesse ele como viesse, trouxesse o que trouxesse. Eu creio que o Presidente deveria abrir o ano lectivo todos os anos, o que é mais importante do que inaugurar escolas. Gostaria que o presidente fosse falar a alunos pelo menos duas vezes por ano, sobretudo aos de aldeias perdidas.

Que transmitisse a ideia de que a educação é, de facto, o factor mais importante de igualdade entre cidadãos e que o Estado tem disso ciência e tem-no como missão. Mas os anos lectivos seguintes foram inaugurados por outras figuras que não o Presidente, o que fez baixar a atenção mediática e o interesse social. Este ano lectivo, acabadinho de abrir, é disso prova, e não foi por a cerimónia ter ocorrido no Cuito, uma das cidades tradicionalmente mais férteis na geração de cérebros, se calhar, mais do que tudo o que se possa imaginar, e até mais do que o facto de não ter sido aberto pelo Presidente da República, e mais do que a inquietação imposta pela crise económica, talvez haja um desencanto com a educação nacional, sobretudo pelos sinais nada animadores que vêm do Ministério da Educação, quer no discurso directo, quer no texto escrito.

Se calhar, a sociedade percebeu que bateu no fundo e procura agora por outras saída, para quem não seja forçado a resignar-se. O que se pode esperar, afinal, quando responsáveis pela educação de um país falam com erros e escrevem com mais erros ainda?

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