Protecção de mangais junta mais de 400 pessoas nos Ramiros

Angola entrou na rota internacional de reflorestação dos mangais depois de ter conseguido, em Dezembro de 2019, plantar 31 mil e 241 mangues por via do Projecto Otchiva, que surgiu há dois anos no Lobito, província de Benguela, por intermédio da jovem Fernanda Renée. O vicePresidente da República, Bornito de Sousa, juntou-se à causa e falou da sua importância para a protecção da costa e das espécies marinhas

A jornada é longa e inicia nas primeiras horas do dia com dezenas de pessoas começando a concentrar-se no Antigo Controlo do Benfica para juntos rumarem ao Ramiros, concretamente na entrada da península do Mussulo, a Sul de Luanda. Em 30 minutos no local, o petiz Marco António, 8 anos, um dos mais de 400 participantes, já tinha conseguido recolher 150 mangues, o mesmo número que viria a plantar nos cerca de 10 hectares onde se programou o reflorestamento de 50 mil pés de mangues.

Com os seus amigos William e Leopoldino que recolheram, respectivamente, 100 e 290 mangues, Marco diz que aprendeu na escola que os mangais são locais de protecção e desova de muitas espécies marinhas, onde os peixes têm-no como o seu berçário. Não sabia Marco, que os mangais absorviam cinco vezes mais dióxido de carbono que as florestas normais, o que viria a aumentar o seu interesse no plantio, pois, aprendeu com os mais velhos no local que mais árvore, significa melhor qualidade de vida para os humanos.

“Agora sei que se plantarmos mais árvores poderemos respirar melhor e ter uma vida mais longa”, disse o menino. Se as crianças desenvolviam a sua acção sob tutela das mães, no outro lado, Pedro e Daniel se responsabilizavam pelo transporte dos mangues recolhidos, enquanto Ana, Eloísa e Marlene se responsabilizavam pela selecção e contagem para a sua reflorestação num dos sub-grupos de mais de 50 pessoas. Foi este o ambiente que se viveu ontem nos Ramiros para garantir resiliência contra as catástrofes naturais, como vento fortes, erosão e calemas para garantir melhor sustentabilidade das espécies marinhas.

O engenheiro agrónomo Adérito Costa não ficou indiferente e disse saber da importância dos mangais para a sua área de trabalho. Aliás, frisou que o factor plantação tem que ver com a agricultura, tendo frisado que a protecção da orla marítima é fundamental para se evitarem calamidades. Adérito Costa enalteceu a iniciativa e realçou a necessidade do contributo de todos para que se tenha um ambiente mais sadio.

Estrangeiros envolvidos Entre os participantes da campanha, não passou despercebido a presença de muitos cidadãos de outras nacionalidades, com destaque para brasileiros, chineses e portugueses que contribuíram na reflorestação dos mangais. Para Osvaldo de Jesus, coordenador da ONG Otchiva, em Luanda, a presença dos estrangeiros significa que o projecto é inclusivo e que as pessoas cada vez mais despertam para o interesse da protecção ambiental, razão da presença de muita gente de diferentes franjas gerações, raças.

Osvaldo de Jesus disse a OPAÍS que Angola entrou na rota internacional de reflorestação dos mangais depois de ter conseguido plantar 31 mil e 241, em Dezembro, por via do Projecto Otchiva, que deu os seus primeiros passos há dois anos no Lobito, província de Benguela, por intermédio da sua mentora Fernanda Renée. Desde a sua fundação, o projecto desenvolve a sua acção no Lobito, Luanda e Soyo. Fernanda Renée e a sua equipa querem estendê-lo para Cabinda, CuanzaSul e Bengo. Neste momento, Angola, México e Brasil lideram o processo de reflorestação de mangues com maiores números de hectares preenchidos.

Vice-Presidente da República junta-se à causa

O vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, foi uma das figuras que juntou-se à causa da protecção de mangais que simbolicamente colheu três mangues plantou e igual número de árvores. Importa referir que nas celebrações do 11 de Novembro de 2019, cujo acto central aconteceu na Quibala, província do Cuanza-Sul, Bornito de Sousa já se tinha referido sobre este projecto e importância que os mentores têm dado para a conservação do ambiente. Bornito de Sousa louvou a iniciativa do Otchiva, que na língua nacional umbundo significa lago, lagoa ou zona húmida.

O Vice-Presidente disse que o plantio de mangues pode diminuir os estragos provocados pelas calemas nas províncias do litoral. “Os mangais protegem a costa inclusive contra tsunamis, apesar de estarmos numa zona que não é muito propensa a isso, mas temos calemas e achamos por bem juntarmo-nos a este projecto”, disse Bornito de Sousa.

Quem esteve imparável é a ministra das Pescas e do Mar, Maria Antonieta Baptista, que até às 11:40h já tinha plantado mais de 320 mangues. A responsável não quis ficar apenas pelo discurso, tanto é que não abandonou o local depois da ida de Bornito de Sousa. Sabe a ministra que o desenvolvimento do seu sector depende, em grande medida, da protecção dos mangais, razão pela qual não arredou os pés tão cedo.

Pesca sustentável, mais e melhores crustáceos e moluscos, dependem da melhoria destes vegetais, razão pela qual, a governante foi uma das principais partícipes da campanha, porque os peixes, camarões, moluscos, crustáceos usam e dependem dos mangais como seu habitat e local de reprodução. Mangues são plantas consideradas berçários dos seres vivos que habitam no mar e surgem em ambiente tropical e semi-tropical, na foz dos rios, onde normalmente existe o ecossistema de mangais, assim como a diversidade marinha na região.

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