UNITA defende repatriamento de angolanos na China

O primeiro-ministro do Governo sombra da UNITA, Raul Danda, apelou, ontem, em Luanda, o Executivo a repatriar os cidadãos angolanos que estão na China devido à propagação do coronavírus que assola aquele país asiático

Falando em conferência de imprensa, afirmou que os que manifestarem o desejo de voltar a Angola, deverão ser colocados em quarentena, em locais devidamente preparados para o efeito. Além do repatriamento, Raul Danda defendeu também o cancelamento temporário de vôos de Angola para a China e vice-versa, até que a situação melhore, tendo em conta a propagação do vírus.

“Temos todos vindo a acompanhar os apelos veementes e desesperados lançados por cidadãos angolanos na China, mormente os nossos estudantes que se encontram em Wuhan”. Esses estudantes, segundo Raul Danda, pedem socorro ao Governo angolano para que sejam retirados daquela que se tornou como uma verdadeira zona de perigo e a passar fome e com falta de quase tudo.

“A China, por seu turno, alberga actualmente um número importante de estudantes angolanos e constitui o destino de muitos outros que viajam em negócios, e por outros motivos, entre os quais se inclui o turismo”, sustentou Raul Danda. O político da UNITA disse ser imperioso que “Angola e os angolanos sejam protegidos à milésima”, reforçando que muitos países estão a parar os vôos, tendo em conta o risco de contágio da doença.

“Ficamos estupefactos, pasmos, boquiabertos quando o Ministério da Saúde vem a público minimizar o problema, chegando a afirmar, como ouvimos todos ontem, que as ligações aéreas de e para a China vão mesmo continuar”, deplorou Raul Danda.

Sensibilizar a população Apesar de, para já, ser difícil prever o curso da epidemia, nas próximas semanas, a UNITA, na voz de Raul Danda, considera ser altura ideal para se tomarem medidas preventivas, “que estejam ao nosso alcance”, encetando uma extensa campanha de informação e comunicação que sensibilize a população para adoptar atitudes apropriadas em caso de epidemia. Segundo Danda, não se trata de espalhar o pânico no seio da população, mas a mesma servirá para alertar os angolanos para a verdadeira magnitude do risco.

O primeiro-ministro sombra da UNITA defendeu também um sistema de vigilância sanitária para a detecção precoce de eventuais infecções, bem como preparar as condições em unidades sanitárias públicas devidamente seleccionadas, para garantir assistência adequada a eventuais cidadãos infectados.

Mortes Informou que, os últimos dados indicam estarem já contabilizados, só na China, acima de 10 mil casos dos quais resultaram cerca de 300 mortes, citando resultados oficiais disponíveis. Raul Danda disse terem sido notificados casos em mais de duas dezenas de países, não só na Ásia, mas também na Europa e na América do Norte, nomeadamente nos Estados Unidos da América e no Canadá. Segundo ainda Danda, o facto de o epicentro do surto situar-se numa das regiões mais populosas do planeta “é, em si só, um factor complicador, pois só favorece uma rápida propagação da doença à escala global”. Por esta razão, fazendo fé nas declarações de Raul Danda, a Organização Mundial da Saúde(OMS) decretou emergência global, que, segundo o seu director -geral “não é tanto pelo que se passa na China, mas sobretudo pelo que pode ocorrer em outros países, sobretudo aqueles cujos sistemas de saúde são mais fracos”.

“Um desses países é seguramente Angola, que está bastante exposta ao risco de ver circular o novo coronavírus”, declarou, acrescentando que a OMS considera Angola um dos países com maior risco de contágio em África, pelo novo coronavírus. “Isso mesmo foi dito pelo director do programa de operações de emergência da Organização Mundial de Saúde, que considera o nosso país como tendo um sistema de saúde fraco e mal preparado para lidar com o novo coronavírus”, disse.

Críticas ao Executivo

Raul Danda criticou o Executivo pela forma como tem estado a abordar o fenómeno, sendo que países com maiores e mais eficientes capacidades organizacionais e de resposta a pandemias, se mostram preocupados. A UNITA entende que a posição do Executivo angolano “deve ser mais vigorosa e responsável”, devendo mobilizar todas as capacidades técnicas, logísticas e humanas para a eventualidade do surto atingir Angola.

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