Sindicalista acha “falsa” subida de propina para melhorar salário do professor

de acordo com o entrevistado, a obrigação do pagamento de mensalidades no sistema pós-laboral, por parte dos estudantes, é aqui colocada como exemplo de que essas medidas não funcionam a favor dos docentes universitários

O representante do sindicato dos professores do ensino superior na Huíla, José António Nahambo, considera falsa a ideia que disse ter ouvido de algumas instituições privadas de que “ a subida das mensalidades dos alunos é para favorecer a criação de melhores condições de trabalho e aumento dos vencimentos dos docentes”. “É quase sempre esta a justificação dos patrões para justificar a elevação dos custos das propinas no sector privado do ensino superior, quando se lhes questionam as razões da medida em causa. E isso é falso”, classificou José Nahambo, tendo apelado aos órgãos de direito para não caírem nessas alegações.

O sindicalista aplaude, momentaneamente, conforme fez questão de referir, o facto de nenhum estabelecimento de ensino superior da sua região, até à data desta entrevista, ter formalmente tomado uma decisão do género. Mas está preocupado, porque está convicto de que tais situações começam em Luanda para depois serem baixadas ordem às filiais espalhadas por outras províncias de Angola. “E, como aqui temos certas instituições do ensino superior com sede em Luanda, não devemos ficar impávidos, a fim de que os nossos estudantes ou filhos que frequentam ou pretendem frequentar estas unidades escolares não vejam o seu curso obstruído”, reforçou. Ainda sobre as causas da subida das propinas, o académico se serve do custo de vida actual do país para dizer que, em função desse contexto, nada justifica qualquer alteração do valor mensal a ser pago pelos estudantes.

José Nahambo admitiu conhecer muitos colegas que trabalham para instituições do ensino superiores privadas que não vêm o seu salário elevado em função do aumento das propinas. Questionado se o sindicato não reage a essas situações contactando as direcções interessadas na subida de mensalidades, José Nahambo ironizou dizendo que interessava às sindicâncias questionarem e discutirem, a seu favor, a percentagem da melhoria do salário. “Entretanto, estes órgãos sindicais não têm muito espaço, vez e voz nas instituições privadas, porque os patrões não deixam eles reagirem”, desabafou o sindicalista, acrescentando que, muitas vezes, são ameaçados que podem perder o emprego.

“Pós-laboral na pública, exemplo falhado”

Para exemplificar como as causas levantadas pelo patronado costumam a ser infundadas, José Nahambo recorreu ao que se passa no sistema pós-laboral das universidades estatais, segundo ele formado sob alegações de melhorar o salário dos docentes universitários. “Esse dinheiro é só para servir os dirigentes dos institutos ou das faculdades. Nós aqui, a nível do Lubango, até temos um dirigente que se dá ao luxo de ficar seis meses com a família em Portugal, a custo disso”, denunciou. De acordo com o docente, por causa desses benefícios, os detentores de cargos directivos não estão dispostos a realizar eleições temporárias, uma ferramenta já recomendada para o ensino superior. Àquilo que considera como dificuldade dos professores, acrescenta o facto de a classe docente universitária estatal estar teoricamente desaconselhada a leccionar em instituições privadas.

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