Escola “Angola e Cuba” reabre 10 anos depois

A escola do Iº Ciclo do Secundário “Angola e Cuba”, antes com o número 7042, é reaberta sob o número 3042, com a designação colégio público – uma designação que ainda carece de explicação, uma vez que alguns dos moradores, que terão os filhos a estudar neste estabelecimento, acham que pagarão propinas.

Ontem, quando a nossa equipa esteve no local, não foi possível aferir junto dos responsáveis da educação, bem como da administração local, as razões da mudança de designação, por estes terem deixado todas as questões para o dia de amanhã. A alegria no rosto de Suzana Jacinto, de 53 anos de idade, denunciou a vontade de ser entrevistada pela nossa equipa de reportagem. Esta interlocutora vive no Cazenga desde 1970, na 5ª Avenida, perto da Escola Angola e Cuba – 3048, onde colocou, perto da estrada, uma bancada. Suzana agradeceu a Deus por ter iluminado o pensamento dos dirigentes e ajudado a efectivar a reabilitação da Angola e Cuba, uma vez que desde que ficou parada, numa altura que se cogitava a possibilidade de o prédio vir a ruir, muitos dos moradores viram-se obrigados a matricular os filhos distante.

“Quando tinham dito que a escola estava a mexer, eu ainda estudava nela, no período nocturno. Na altura tínhamos sido transferidos para a escola da FESA. Infelizmente, as condições financeiras não me permitiram continuar, além de dar prioridade à educação dos filhos”, mostrou-se nostálgica e com alguma esperança de voltar a estudar à noite.

Duas das suas filhas não conseguiram estudar, porque as escolas disponíveis ficavam muito distante. Agora, com a reabertura, tenciona colocá-las na Angola e Cuba, pelo que já tem os documentos todos preparados para a matrícula. A reabilitação não trouxe apenas uma nova oportunidade de os filhos de Suzana estudarem perto de casa, mas também afastou do local um grupo de jovens que tinha aquela escola como zona para fumar liamba e praticar outros tipos de crimes.Além disso, a escola tinha se transformado num depósito de lixo. Suzana Jacinto vende almoço no seu quintal, que muitas vezes é acompanhado de uma bebida. Por esta razão, disse à nossa equipa de reportagem que irá ponderar a venda de bebida alcoólica, depois da abertura da escola e, evidentemente, não vender aos estudantes e professores.

“Ainda precisamos de muitas escolas”

Adão Joaquim da Cunha, de 56 anos de idade, que vive no Cazenga há 35 anos, é daqueles que também sentiu falta da escola e defende que deve-se explorar outros espaços, no Cazenga, que podem dar lugar a mais escolas. Recorda que o lugar onde está a “Angola e Cuba” era para estar um hospital, mas que acabou por ficar no Asa Branca. “É necessário que o Estado continue a prestar atenção a esta escola para os miúdos não estragarem”, defende. Uma sugestão de conservação da escola foi dada por Josefa Francisco, de 53 anos, que consiste em contratar as pessoas aposentadas, com condição física para prestarem serviço de limpeza e manutenção. Acha que existem muitos idosos em condições de garantir a manutenção e limpeza do local, desde que lhes seja dado algum estímulo.

“Temos de fazer algo para manter a escola, cuidar, principalmente das casas de banho, e não permitir que o vandalismo volte a atacar. Acho que se fez um investimento grande neste projecto de reabilitação, que não devemos desperdiçar”, disse ela, que em 1992 fez a 7ª classe na escola que hoje defende a sua preservação. “Nós (do Cazenga) a maior parte é de baixa renda e quando os filhos estudam distante dificulta ainda mais os pais e encarregados de educação. Gostaríamos que acções como estas venham a se repetir e, se possível, que se criem mais universidades aqui no nosso município. Temos de investir mais no Cazenga se quisermos ver desenvolvimento”, acrescentou.

“ Angola e Cuba não tinha mexido. É mentira”

Neves Miranda é um ancião e entidade tradicional no Cazenga, que viu o município a crescer, uma vez que diz estar a viver nele desde 1975, numa altura em que era mata, acha que “não se pode deixar o município berço nacional à deriva, já que Cazenga é símbolo do 4 de Fevereiro de 1961”. O ancião disse que as alegações que dão conta do facto de a escola “Angola e Cuba” estar a ruir e em consequência das estruturas terem mexido, não corresponde à verdade e não passa de um bloqueio de certas pessoas que queriam sabotar a escola.

Havia interesses para que se destruísse a escola e, segundo o ancião, levantou-se esta mentira com este fim. “Nós como mais velhos estamos alegres, as crianças e adolescentes também, porque teremos a nossa escola nova e linda, sem precisar partir ou derrubar. Muitos dos nossos miúdos, depois de a escola estar fechada, ficaram espalhados e outros inclusive saíram do município”, lamentou. A bênção do mais velho é que a escola tenha bons professores, os alunos aprendam boas coisas e que a escola seja poupada pelos vândalos.

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