Luís Kiambata defende igualdade de tratamento dos antigos combatentes

Em entrevista ao OPAÍS, no âmbito das comemorações do 4 de Fevereiro, dia do início da luta armada de libertação nacional, que hoje se celebra, o nacionalista disse não ser justo que apenas um grupo de pessoas se beneficiam de todo o sacrifício consentido enquanto os outros seguem desprezados, atirados a sua sorte e sem o mínimo para sobreviver

O nacionalista Luís Kiambata defende tratamento igual aos antigos combatentes que, em 1961, deram início ao processo de luta armada de libertação nacional cujo propósito foi libertar o país do antigo regime colonial, independentemente da cor partidária. Em entrevista ao OPAÍS, no âmbito das comemorações do 4 de Fevereiro, dia do início da luta armada de libertação nacional, que hoje se celebra, o nacionalista disse não ser justo que apenas um grupo de pessoas se beneficie de todo o sacrifício consentido enquanto os outros seguem desprezados, atirados à sua sorte e sem o mínimo para sobreviver. Luís Kiambata, que mostrou indignação com o rumo que o país tomou durante todos esses anos de governação, disse que é deplorável a condição, de uma forma generalizada, dos antigos combatentes do país quer do MPLA, UNITA ou FNLA.

Conforme explicou, a maioria dos que deram o “litro” pela pátria vivem em condições lastimáveis, situação que, no seu entender, não dignifica a “honrada” pátria. “Entra para o Rangel, Cazenga, Marçal, Sambizanga e em outros bairros antigos vai encontrar muitos dos que lutaram, para que estivéssemos em liberdade, atirados numa autêntica desgraça. Não têm casa, roupa, transporte nem comida. É deplorável e desprestigia toda a luta empolgada”, deplorou.

Para o também diplomata, o Governo devia prestar maior atenção a essa franja da sociedade que, com as suas forças e determinação, lutaram para que hoje o país vivesse em paz e em liberdade sem a pressão do jugo colonial. Segundo Luís Neto Kiambata, é preciso que a honra e o tratamento estejam na mesma proporção para evitar que alguns se sintam filhos e outros enteados da pátria em função da forma como são tratados, o que revela autentica discriminação. “Por exemplo, não é novidade que muitos antigos combatentes da UNITA e da FNLA vivem a lamentar pelas condições a que estão atirados.

O mesmo acontece com a maior parte dos antigos combatentes do MPLA que vivem igualmente na situação deplorável. Mas, se virar a moeda, verá que, do outro lado, tem um outro grupo que vive de forma luxuosa e com todas as benesses. Penso que isso não é justo se quisermos construir um país de igualdade”, apontou o nacionalista para quem, “a pátria deve honrar todos os seus filhos na mesma proporção e igualdade para que não haja reservas e ressentimentos que podem nos levar a outras desgraças”.
ainda há esperança porque a luta continua Todavia, apesar da situação “de miséria” a que estão votados os antigos combatentes, Luís Kiambata entende que a luta em prol da dignidade destes “ilustres” filhos de Angola deve continuar para o bem da nação.

De acordo com o mesmo, a actual governação tem tudo para contrariar o cenário, prestando uma atenção aos que lutaram pela pátria, devendo, para o efeito, que haja vontade politica e necessidade de se reconciliar com este segmento da sociedade. “Ainda temos esperança só de saber que a nossa luta é contínua. E vencer só depende de todos nós. O actual governo tem o queijo e a faca para fazer com que os futuros 4 de Fevereiro sejam de honra e respeito em prol da valorização dos antigos combatentes”, notou.

Acto central no bengo

O acto central das comemorações relativas ao dia 4 de Fevereiro terá lugar na província do Bengo, onde vão ocorrer uma série de manifestações políticas, sociais e culturais para saudar a efeméride. Este ano, o país celebra 59 anos desde que um grupo de cidadãos empenhou-se em corporizar o início da luta armada de libertação nacional. Destemidos filhos da pátria elevaram as suas vozes e punhos semicerrados contra o colonialismo português, arriscando as suas próprias vidas em prol de um bem comum: a construção da Nação angolana, livre da opressão.

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