Fora dos louros

Antes das eleições de 2008, a cidade do Huambo e parte das outras da sua província tinham-se transformado em joias reluzentes. Depois viveu uma decadência e voltou a luzir em 2017. Sim, foram períodos eleitorais, mas não é isso o importante agora. No primeiro brilho, António Paulo Kassoma era o governador provincial e no segundo foi João Baptista Kussumua. Benguela tem sempre as suas makas com o lixo que vai e vem e com os jardins que ou são milionários, ou são simplesmente mato, como agora. Mas Benguela também já teve, a espaços, os seus momentos bons, com o general Armando da Cruz Neto e até com Isaac dos Anjos, que governou já numa fase de pouco dinheiro também. Na Huíla, o Lubango, que foi sempre discreto, calmo e bom de se viver, mas nos anos de João Marcelino Tyipinge, bateu no fundo, com buracos nas ruas que faziam lembrar crateras lunares e com montanhas de lixo que se tivesse havido atenção de fora ainda figuraria no Guiness Boock como a cidade do mundo com mais lixo acumulado nas ruas. Agora, com Luís Nunes, a cidade parece renascer, o lixo desapareceu e as ruas estão a ser recuperadas, reasfaltadas, voltou a dar gosto. Já em Benguela, Rui Falcão é alvo de todas as críticas. Está nos antípodas de Nunes, que até música gravada em homenagem ao seu trabalho mereceu e tudo. E por que falo destes governadores e dos seus bons ou maus momentos? Porque estou a pensar no Governador Rescova, que lidera uma província em que toda a gente interfere e em que toda a gente está pronta para reclamar dos louros se alguma coisa correr bem. Se correr mal, coitado dele. O que tem Rescova a ver com as histórias de governadores de outras províncias? Apenas para ver como os chefes ficam com tudo, felizmente nas nossas províncias até com a parte má. Eu pergunto, naqueles momentos joia, do Huambo, Benguela e Lubango, em que os governadores ficaram na história, havia administradores daquelas cidades? Ficaram com algum louro? Alguém se lembra de um nome que seja? Aliás, para o que servem os administradores municipais, afinal?

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