Falcão afirma que recursos do Lobito não chegam sequer para reabilitar uma rua

O governador provincial de Benguela, Rui Falcão, reconheceu Quarta-feira, 06, a complexidade de gestão do município do Lobito, tendo revelado que os recursos postos à disposição da Administração da cidade dos Flamingos não chegam sequer para reabilitar uma rua

Constantino Eduardo, em Benguela

De acordo com Rui Falcão, que falava na cerimónia de apresentação do novo administrador do Lobito, Carlos Vasconcelos, à sociedade local, durante meses consecutivos, mais de 80 por cento dos recursos financeiros de que o governo local dispunha destinaram-se ao pagamento daquilo a que chama de problemas “estruturais”, ou seja, de base. Como quem quisesse responder a críticas de determinados segmentos sociais da também conhecida cidade dos ‘Flamingos’ sobre suposta “ingovernabilidade”, o governador de Benguela justificou que os recursos financeiros para o Lobito são tão escassos que a administração municipal não é capaz de reabilitar uma rua. Apesar das dificuldades, o governante salienta que a nomeação de Carlos Vasconcelos para o Lobito justifica-se.

Segundo Rui Falcão, mexeu-se no xadrez no governativo para melhorar a acção do executivo local, advertindo que governar implica exercer actos administrativos com honestidade. Nesta perspectiva, e uma vez que o Lobito tem uma massa crítica, o governador de Benguela espera que o actual administrador tenha a humildade de ouvi-la e alimentando-a com informações verdadeiras relativamente aos recursos que são postos à disposição da Administração local. Rui Falcão marca a sua governação em 2020 com uma série de alegações de falta de recursos financeiros para executar projectos sociais.

Reagindo às declarações de Rui Falcão, proferidas na cidade do Lobito, Zeferino Kuvíngua, secretário da CASA-CE em Benguela, assevera que, com tal afirmação, o governador de Benguela estará a chamar atenção ao Governo Central, apelando-o à abertura da bolsa, argumentando que o Executivo de João Lourenço se estará a divorciar das suas responsabilidades. “Estará a passar claramente a mensagem para o Governo Central”, sublinha.

O político aponta como acções prementes e, como tal deviam merecer atenção do Executivo, o melhoramento das vias de acesso, de modo a conferir dignidade à população. Mesmo ouvindo repetidas vezes as alegações de Rui Falcão sobre a falta de dinheiro, Kuvíngua prefere, igualmente, acreditar que se trata de falta de vontade política de quem dirige a província de Benguela.

O coordenador da Organização Humanitária Internacional, Messelo da Silva, não entende como é que há, tal como refere o governador, manifesta incapacidade financeira de um município estratégico, como é o Lobito, a ponto de as autoridades locais estarem incapazes de reabilitar sequer uma rua, quando tem projectos desta natureza, tal como revelaram as autoridades, inscritos no Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).

As interrogações do activista não ficam por aí e vai longe. Messelo da Silva, que desde sempre manifestou receio em relação à proveniência do dinheiro do PIIM, se questiona como é que um município de que se fala que ascenderia à categoria de província tenha chegado a este ponto.

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